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Sílvio Meira, o mago da inovação em TI

Por Lucia Helena Corrêa

A tecnologia está em tudo. Assim é como enxerga Sílvio Lemos Meira, de 58 anos, paraibano de Taperoá cujos olhos brilham e giram nas órbitas, sempre que se fala em inovação. O rosto enrubesce quando o tema são as conquistas do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife, o C.E.S.A.R., sigla que alguns chegam a confundir com o nome de batismo do pesquisador. A confusão é compreensível: a história pessoal e profissional do paraibano naturalizado pernambucano se mistura à do centro de pesquisa, um dos mais prestigiados do país, criado em 1985 por ele e outros dois pesquisadores recém-chegados dos Estados Unidos, portando os respectivos títulos de doutor.

Sílvio Meira é "responsável por descobrir perguntas, ao invés de arranjar respostas"

Sílvio Meira é “responsável por descobrir perguntas, ao invés de arranjar respostas”

Graduado em 1981 em Eletrônica pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica, Sílvio é mestre em computação pela Universidade Federal de Pernambuco e doutor em Computação pela University of Kent at Canterbury, da Inglaterra. Atualmente, é professor titular de Engenharia de Software, consultor e cientista-chefe do C.E.S.A.R., onde é “responsável por descobrir perguntas, ao invés de arranjar respostas, e inovação em geral”, explica.

Mais do que isso, identificado com a instituição desde o começo, Sílvio é conhecido pela capacidade de inovar nos modelos e processos de empreendedorismo em instituições, buscando soluções capazes de transformar processos de negócios. Mas deve passar à história como o pesquisador que conseguiu a proeza de eliminar a atávica distância entre a pesquisa científica e os meios de produção.

“Até 1985, não existia no país capital de risco disposto a investir em empresas de tecnologia, o que tornava inviável o caminho da universidade para a empresa. O caminho inverso era impossível porque a universidade não estava interessada no mercado e nem estava equipada para atender às suas demandas. Assim havia espaço para uma empresa intermediária, uma fábrica de soluções para o mercado, um grupo de engenharia que deveria ter vendedores. Contratamos um superintendente de mercado que veio de um banco. Ele contratou outros vendedores e o gerente de engenharia. Assim é que nasceu a fábrica de software.”

Pela atuação no C.E.S.A.R. desde sua origem, Sílvio é testemunha e fonte inesgotável de conhecimento tecnológico de valor prático, protagonista da história da inovação tecnológica no Brasil. Nunca teve tempo de fazer aquilo que há muito lhe cobravam: escrever um livro que documentasse a história do centro de pesquisa, desafio que venceu no dia 14 de outubro, quando, finalmente, lançou o primeiro livro: Novos Negócios [inovadores de crescimento empreendedor] no Brasil.

Na obra, Sílvio coloca rascunhos de ideias e conclusões sobre o empreendedorismo e inovação

Na obra, Sílvio coloca rascunhos de ideias e conclusões sobre o empreendedorismo e inovação

O trabalho apresenta perguntas que geralmente fazem empreendedores atrás de soluções inovadoras capazes de melhorar o desempenho dos negócios. Mas Sílvio adianta que não veio para responder; sim, para perguntar. Melhor ainda: veio para criar, com quem passar por ele, mais perguntas.

“Não se trata de um compilado de pérolas de sabedoria, mas pontos de interrogação colecionados ao longo do tempo, resultado de muito trabalho e reflexão, na prática e no dia a dia da inovação e do empreendedorismo.”

O trabalho não interessa apenas a quem está pensando em se lançar em novo negócio, ou lançar novos produtos e serviços em negócios existentes; ao discutir o conceito de inovação e empreendedorismo, a obra promete arrebatar outros públicos.