Home > Carreiras > Ciência da Computação > Osmar Higashi: TI aplicado à qualidade de softwares

Osmar Higashi: TI aplicado à qualidade de softwares

Por Udo Simons
Foto de Rogério Montenegro

Osmar Higashi pode ser considerado parte de uma das gerações precursoras da computação no Brasil — apesar dos seus 47 anos, o que poderia ser considerado pouca idade para tal afirmação, caso ele fosse de outra profissão. Mas no caso dele, “precursor” lhe cai bem. “Desbravador” é outro adjetivo facilmente identificável com sua história profissional. Nascido na década de 1960 em Rolândia, cidade no norte do Paraná, a 400 quilômetros de Curitiba (e tendo ali vivido sua adolescência nos anos de 1970), computadores poderiam soar como ficção para ele. Pela época em si, período no qual a computação ainda engatinhava em termos mundiais; e pelo contexto social de Rolândia, cidade de economia, ainda hoje, predominantemente rural.

“Quando era adolescente e falava de meus interesses por computação, não havia ninguém para dialogar.”

Mas essa situação não foi impedimento. Sua família tinha parentes em São Paulo, primos e tios, que já trabalhavam na área. Isso o ajudou. Não encontrou resistência entre seus pais quando anunciou seu desejo de fazer vestibular para Ciência da Computação. “Meus familiares que trabalhavam na área eram considerados bem sucedidos. Assim, ficou mais fácil para meus pais aceitarem minha decisão.” Nessa época, “trabalhar na área” significava lidar com mainframes, em grandes centrais de processamento de dados, principalmente no setor financeiro.

Em 1984, Osmar mudou-se para a capital paulista ao passar no vestibular da Universidade de São Paulo, onde fez graduação até 1989. Ainda como estagiário, começou a trabalhar em bancos. “O ambiente financeiro proporciona o aprendizado de sistemas complexos. A aplicação de TI em bancos é um mundo à parte”, reflete.

Com a chegada da década de 1990, vivendo os primeiros anos como profissional, Osmar passou a almejar outros voos.

“As empresas começaram a se preocupar com o bug do milênio. Passei a montar ambientes para simular o ano 2000.”

Nessa época, ele já fazia parte da RSI Informática, empresa da qual se tornou sócio em 1995. Fundada em 1993, a RSI é especializada em testes e qualidade de softwares para os setores financeiro, de telecomunicação, serviço e varejo.

“De forma geral, as empresas hoje estão mais atentas à necessidade de se testar o desempenho dos programas utilizados em seus negócios”, comenta. Há 20 anos, porém, eram poucas as corporações que se preocupavam com essa questão. Esse maior conhecimento também gerou modificações na prestação do serviço. “Mudou radicalmente. Antigamente, fazia-se manutenção num sistema que ficava fora do ar por dois dias. Hoje, isso é impensável.”

Testar softwares e sua qualidade é maneira para assegurar o bom funcionamento do negócio, da prestação de serviço das empresas. Os testes são aplicados para operações de qualquer tamanho, em qualquer setor. Isso contribui à complexidade de quem deseja trabalhar nesse segmento. Em outras palavras, a aplicação de cada teste depende do contexto de cada empresa. Ou seja, não é como seguir uma receita de bolo.

“Analista de teste de software é carreira em alta”, reforça Osmar. Para ele, o mercado está amadurecendo. “Em termos de setor, de teste e qualidade de software, o Brasil está junto com o resto do mundo”, afirma.

Ao olhar para o futuro, Osmar deseja a indústria produtora de softwares mais organizada, com melhorias continuas no processo de desenvolvimento dos programas. “O fator TI é bastante alto às empresas. E como os custos [de forma geral] ficam cada vez mais relevantes para elas, temos de garantir qualidade na oferta de TI.”

Dicas de Carreira de Osmar

  • Estudar continuamente para se atualizar as mudanças de mercado;
  • Ser proativo na oferta de soluções aos desafios que surjam;
  • Entender a necessidade dos trabalhos;
  • Exceder as expectativas dos contratantes.