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Cartógrafo: extraindo o máximo de um mapa

Uma das principais características da profissão é a interdisciplinaridade

por Guss de Lucca
fotos por Newton Santos

Uma das profissões mais antigas da história, a cartografia envolve a confecção e interpretação de mapas, um ofício que desde os primórdios tem como característica a interdisciplinaridade. Se no passado os mapas auxiliaram exploradores e construtores a mudarem o mundo, com a tecnologia disponível hoje eles aumentaram seu alcance e importância.

Funcionário do Instituto Geográfico e Cartográfico do Estado de São Paulo, Rafael Duarte decidiu se tornar engenheiro cartógrafo num período em que o curso não era tão conhecido. “Vi que as exigências iniciais eram entender de física, gostar de fazer mapas e mexer com computador. Como trabalhava com informática e não tinha dificuldades com física, optei por prestar. E passei”, recorda o paulistano, que acabou indo estudar em Presidente Prudente, no interior de São Paulo.

Apesar do curso ser integral, durante a faculdade Duarte conseguiu arrumar algumas janelas para estagiar em prefeituras da região. “Foi muito importante pois fizemos mapas de planos diretores das cidades. Para isso pegávamos imagens de avião, processávamos e a partir delas confeccionávamos os mapas”, conta o cartógrafo, que logo de cara percebeu a importância da multidisciplinaridade da profissão.

Arquitetos e advogados
“O cartógrafo depende muito de outros profissionais. Precisa saber ouvi-los e extrair o necessário para gerar o produto cartográfico desejado. Na equipe tínhamos geógrafos, arquitetos, advogados… Eles construíam um documento levando em consideração o produto cartográfico.”

De acordo com Duarte, engana-se quem pensa que o cartógrafo é apenas aquele que representa o meio físico em mapas. Para ele, a missão principal desse profissional é entender e controlar os erros, pois “todo dado cartográfico tem erros – é uma missão ingrata”.

“Qualquer um pode fazer um mapa, mas o quanto se pode extrair de informação daquele mapa é o cartógrafo quem traduz. E principalmente dizer como não usar informações incorretas, esclarecendo o que é ou não possível medir com precisão.”

Satélites
Entre os meios atuais que mais colaboram com a cartografia destacam-se as imagens geradas por satélites, que acabaram por substituir em grande parte aquelas feitas em aviões. “Ciências como a fotometria e a geodesia, que estuda o posicionamento no espaço, também fazem parte do nosso dia a dia”, explica Duarte. Além disso, ele cita entre os serviços já realizados imagens usadas para fazer previsão de safras e monitoramento de áreas com desmatamento.

Aos interessados em fazer parte desse mercado ele alerta sobre a discrepância de salários entre os cartógrafos e demais engenheiros. “É um mercado que sempre precisa de bons profissionais, mas não acho que os salários no geral são compatíveis com a função. Quem gosta realmente fica e atua na profissão. Quem procura exclusivamente por sucesso financeiro nem termina a faculdade”, comenta.

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