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Bombeiro: muito além de apagar incêndios

Por Udo Simons

“Eu estou feliz com o que faço.” A frase do capitão Renato de Natale Jr. pode soar como lugar comum. Entretanto, ganha outra dimensão quando a rotina de trabalho dele é vista de perto. Se, de fato, ele não for feliz com o que faz, seria quase impossível viver sua jornada de trabalho e estudo de 17 horas diárias. Principalmente porque boa parte desse tempo é dedicado a resgatar vidas, evitar acidentes, amenizar a dor de outras pessoas. Capitão Natale é comandante do subgrupamento do corpo de bombeiros da Vila Mariana, na capital paulista, composto por 230 soldados e 15 viaturas. Na função, responde pelo trabalho da corporação nos bairros de Campo Belo, Sacomã, Jabaquara e Vila Mariana, todos na zona Sul de São Paulo.

“Minha profissão não deixa ninguém rico. Ainda assim, tenho amor por ela.”

Há 24 anos o capitão é bombeiro. Interessou-se pela carreira na Academia da Polícia Militar do Barro Branco, quando ingressou aos 18 anos. “Descobri a natureza do serviço, que é especializado, técnico.” Engana-se quem pensa que, para ser bombeiro, estudar é desnecessário. Aliás, os estudos fazem a rotina do capitão ser tão extensa. Além do curso de formação da Academia da PM, ele é bacharel em Direito, formado em Educação Física e em Engenharia Civil, tem mestrado profissional e está cursando especialização em Engenharia de Segurança. “Durmo pouco, cinco horas por dia.” Junto a isso ainda tem sua preparação física. Para manter seus 80 quilos (em 1,89 metro de altura), mantém dieta rigorosa baseada em grãos, come pouca carne vermelha e quase nenhum doce. “Antigamente, treinava mais, mas ainda continuo minhas corridas.” Tudo isso para estar apto a atuar na maior cidade do Brasil.

Em São Paulo, a média diária de ligações ao 193 (número de emergência do corpo de bombeiros) é de 12 mil. São feitas de 800 a 1 mil atendimentos por hora. O subgrupamento do capitão Natale é um dos mais importantes por se localizar numa região populosa, com quase 3 milhões de pessoas. “Se não houver amor, conhecimento e dedicação, o trabalho não acontece.” Para exemplificar, lembra o resgate de um garoto que ameaçava se jogar de uma torre de alta tensão de 40 metros de altura. “Quando as técnicas do resgate se esgotaram, usei minha personalidade para dissuadi-lo. Deu certo.”

Na capital paulista, a maioria dos resgates está no trânsito. As principais vítimas são os motoqueiros. “Incêndios também são constantes.” Ainda existem os animais em cima de árvore. “São poucos, mas ainda existem.”

Dicas de carreira de Natale

  • Dedicação;
  • Preparo físico e boa saúde;
  • Estudar sempre;
  • “Amar a causa pública”.