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Acerto e erro fazem parte da vida de um pesquisador biomédico

Por Udo Simons

“Ser cientista sempre me motivou”, garante o biomédico e professor adjunto da Universidade Federal de São Paulo — Unifesp, Marcelo Mori, de 33 anos. Sua afirmação pode facilmente ser comprovada ao se observar o seu currículo: é evidente que a ciência, de fato, tem um papel de protagonista em sua vida profissional. Sobretudo, a pesquisa.

Marcelo sempre esteve no contexto acadêmico. Esse universo tem início efetivo quando ele entra no curso de Ciências Biológicas, em 1999. “Saí da graduação [em 2002] direto para o doutorado”, recorda. Na prática, ele doutora-se em Biologia Molecular pela Unifesp, com estágio no Max Delbrück Center for Molecular Medicine, instituto de pesquisa molecular em Berlim, na Alemanha. Na sequência, faz pós-doutorado pela Harvard Medical School, nos Estados Unidos. Em outras palavras, capacita-se para atuar em pesquisas na biologia molecular, investigando os mecanismos associados à síndrome metabólica e ao processo de envelhecimento, seu campo de estudo.

“Vivo minha vida profissional na academia. Meu negócio é fazer perguntas. Procuro entender a realidade que me cerca. Assim, busco dar minha contribuição social como cientista, como pesquisador.”

Para Marcelo, tornar-se cientista está mais relacionado à personalidade das pessoas do que efetivamente a uma formação específica. “É preciso ser curioso. Ter interesse em criar hipóteses e encontrar respostas. Pessoas das mais diversas formações podem convergir para a ciência”, lembra. Contudo, ele faz uma ressalva:

“[Em pesquisa científica,] É preciso saber lidar com a frustração.”

De acordo com Marcelo, o método científico é um jogo de acerto e erro. Em outras palavras, é necessário testar as hipóteses inúmeras vezes para se chegar a um resultado. Às vezes, o resultado desejado pode não acontecer.

Para fazer suas investigações, Marcelo ressalta a melhor ferramenta: determinação. Isso significa correr atrás de uma resposta e não ficar cego com ideias pré-concebidas. Quando adolescente, ele era, em suas palavras, um “cabeça-dura”. Um pouco idealista. A partir dessa condição, ele diz que gostava de ter uma visão particular do mundo. “Continuo gostando de ter essa visão. Mas agora de forma menos radical.”

Da busca por respostas, surge a necessidade da dedicação, ponto fundamental na carreira de pesquisador. “Trabalhamos dez horas por dia [em laboratórios, universidades etc.] e ainda temos que nos dedicar, por horas, à leitura ou à elaboração de projetos quando estamos em casa.” Com a jornada de trabalho extensa, estabelecer uma vida pessoal pode ser bastante difícil. No caso de Marcelo, ele teve sorte. Ele está com a sua esposa, Patrícia, desde os 17 anos de idade. “Pesquisadores precisam de entendimento da família. Em minha vida conjugal, minha mulher me ‘seguiu’ mais do que eu a ela”, revela. Apesar de estarem juntos há mais de 15 anos (entre namoro e casamento), eles ainda não têm filhos. “Mas ser pai está em seus planos”, diz.