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Biólogos também fazem gestão!

Por Nilva Bianco
Foto de Rogério Montenegro

Mauro Renan Pereira Costa imagina que a vasta paisagem amazônica que envolve sua cidade natal, Belém, tenha pesado na decisão de tornar-se um biólogo. Ele se formou em 2002 pela Universidade Federal do Pará e pouco tempo depois já estava cursando mestrado em Sustentabilidade na Universidade Federal do Maranhão, em São Luís.

Em seus planos, os próximos passos seriam um doutorado na França e uma vida tranquila como docente. Foi quando um convite mudou tudo e, em vez de Toulouse, Mauro se viu em Canaã dos Carajás, no sul do Pará. Foi o início de uma carreira desafiadora em um mercado pouco conhecido, porém crescente no Brasil: o de destinação de resíduos industriais.

Ele conta que a precipitação de toda a mudança foi um convite para a coordenação de uma expedição de campo que a UFPA iria fazer para a Vale, na região de Canaã dos Carajás, no sul do Pará, onde a empresa estava instalando a Mina do Sossego para a extração de cobre. Algum tempo depois veio o segundo convite, desta vez de um prestador de serviços da Vale, a Vega GRI (atualmente, GRI – Gerenciamento de Resíduos Industriais).

“Me chamaram para coordenar a equipe que cuidaria da gestão dos resíduos da mina. Eu disse que precisava terminar o mestrado antes. Eles esperaram para depois retomar o contato e, desta vez, eu aceitei”

Sua função era coordenar uma equipe de dez funcionários, responsáveis pela coleta e gerenciamento de todos os resíduos da mina – industriais e da área administrativa. Mauro passava os dias na mina e morava em Canaã dos Carajás, a 70Km de distância, o que demandava deslocamentos diários em uma região bastante acidentada.

Marabá, onde fica o aeroporto mais próximo, está a 300Km de distância, e Belém, a 800Km. Na época, praticamente não havia sinal de celular ou internet na região e as encomendas expressas por correio demoravam dez dias para chegar. Depois de longos períodos no trabalho, Mauro conta que a longa viagem até Belém era quase uma necessidade. “Eu estava tão isolado que quando chegava à cidade até o barulho das buzinas soava como música”.

Depois de um ano e meio, o inquieto Mauro não aguentou mais: pediu para sair. “Conversei com meu superior na GRI e ele me ofereceu um cargo em Manaus”. Na capital amazonense, Mauro chefiou uma equipe com cerca de 200 pessoas, prestando serviços para a empresa responsável pelo saneamento da cidade.

Depois assumiu novos desafios: foi promovido a supervisor para todos os contratos na região Norte; mudou-se para São Paulo, onde assumiu o cargo de supervisor técnico na sede da GRI; em seguida foi convidado a atuar como consultor na implementação de um programa ambiental de ecoeficiência na refinaria Reman, da Petrobras. E, finalmente, há dois anos, retornou à GRI e a São Paulo.

Hoje, aos 32 anos, ele é gerente técnico de QSMS e operacional de novos negócios da empresa, além de ser o responsável técnico por duas empresas recém-criadas pela GRI, em um movimento para diversificar suas atividades. Uma, a Revitalamp, desenvolveu uma tecnologia exclusiva para a revitalização de lâmpadas fluorescentes e de vapor; a outra é focada em logística reversa de itens que vão de eletroeletrônicos até catalisadores e óleo lubrificante.

“A possibilidade de gerar negócios ‘do bem’, relacionados a tecnologias ambientais inovadoras, é algo coerente com a minha história”, diz Mauro, que se prepara para galgar novos degraus na carreira, mas nunca se esqueceu do aprendizado naquele primeiro emprego, em Canaã dos Carajás. Coisas como fazer o máximo com o mínimo, ser flexível e liderar.


Dicas de carreira do Mauro

  • “Acredite e trabalhe pela meritocracia, mas não esqueça que cultivar relacionamentos no trabalho também é importante”;
  • “Você sempre tem algo a aprender, mantenha-se humilde e aberto ao novo”;
  • “Como gestor, empenhe-se em conhecer as pessoas de sua equipe. Trate cada pessoa como o que é: um indivíduo, com sua própria história, trajetória, talentos e potencialidades. É o melhor caminho para conquistar uma equipe dedicada e engajada”.