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Quando os sapos não são príncipes, mas o biólogo é rei!

Por Udo Simons
Foto de Rogério Montenegro

Renato Lourenco de MoraesAos 10 anos, Renato Lourenço de Moraes pegava sapos, rãs e pererecas, em terrenos baldios, na Vila das Belezas, zona Sul da capital paulista. Ele contava com a ajuda de seu irmão, Ricardo Lourenço de Moraes (por sinal, gêmeo univitelino) na empreitada. Munidos com uma caixa de tevê vazia, juntavam 40, 50 anfíbios.

“Os levávamos para casa. Minha mãe ficava louca”, sorri.

A ação dos irmãos era em defesa dos animais. “Os outros moleques davam estilingadas, judiavam dos bichos”, recorda. Hoje, aos 37 anos de idade, os irmãos Moraes continuam caçando, rãs, sapos e pererecas. Mas essa caçada ganhou outra dimensão e outros bichos passaram também a ser do interesse deles. Os dois se transformaram em biólogos, com especialidade em herpetologia, ramo de estudo dedicado aos répteis e anfíbios.

Ou seja, lagartos, cobras, calangos, salamandras, sapos, entre outros. E mais, Ricardo, que faz doutorado em Maringá, Paraná, encontrou, no sul da Bahia, uma espécie desconhecida de anfíbio, o Adelophryne Mucronatus e a descreveu. Um feito e tanto para o universo da ciência e da pesquisa biológica.

“O biólogo é um pesquisador, um cientista. Ele estuda a vida para a preservação da vida”, resume Renato, ao falar da profissão. Desde sempre, ele foi apaixonado por animais. Porém, não qualquer animal, comumente mais próximo às crianças, como cachorros e gatos. Os anfíbios sempre foram sua predileção. “Eles são muito legais. São bonitos. Gosto também da sua vocalização [o som que emitem]” .

Em sua família, não havia profissionais da biologia. Seu pai, seu Wilson, hoje aposentado, era administrador de empresa. Sua mãe Benedita, dona-de-casa. A despeito disso, ambos incentivaram os filhos na descoberta do interesse deles pelos animais e na carreira de biólogo. Mas antes de cursar biologia na Universidade de Santo Amaro, (UNISA), entre 2004 e 2008, Renato fez uma rápida incursão pela música.

“Logo percebi que aquilo estava errado. Me questionava o que fazia ao estudar música”. Quando mudou para biologia foi diferente. “Tudo parecia natural. Tinha bastante facilidade para estudar e sabia exatamente o que queria fazer”. Sua certeza era tanta, que definiu seu trabalho de conclusão de curso no segundo ano de faculdade. Dado ao seu histórico de interesse, os anfíbios foram o tema central de seu trabalho de graduação.

Assim, ao se formar, encontrou rapidamente colocação no mercado de trabalho. Hoje, no Brasil é muito comum a oferta de emprego para biólogos em consultorias ambientais. Locais que, por princípio, fazem o mapeamento ambiental de áreas para grandes empresas. Porém, biólogos não necessitam trabalhar apenas para um escritório. Podem prestar serviço para diversos. É o caso de Renato. Atualmente, ele se prepara para um trabalho no Rio Grande do Sul.

“Farei o levantamento dos anfíbios e répteis presentes em terrenos destinados a receber linhas de transmissão de uma empresa fornecedora de energia”. Na prática (de forma resumida), ele vai catalogar os anfíbios e répteis do local. Verificará, ainda, qual impacto ao meio ambiente a colocação das torres e linhas de transmissão pode acarretar naquele ecossistema. Com os estudos de campo concluídos, ele vai gerar relatórios analíticos.

Vale lembrar, esse é um trabalho com muito esforço físico por acontecer, basicamente, em mata fechada. É preciso estar bem fisicamente para lidar com as jornadas de trabalho, por vezes, a luz do dia, outras vezes, à noite. “Saio ‘ensopado’ da mata. Isso, sem contar com os mosquitos e até mesmo carrapatos. Quem gosta de trabalho de campo, tem de gostar de se aventurar”, enfatiza.

Para manter seus 71 quilos, em 1,75 metros, Renato pratica karate. Além das atividades físicas, ele ocupa parte de seu tempo com leitura de literatura da área. Nesse caso, saber inglês é fundamental, pois as principais publicações e estudos são produzidos na língua de Shakespeare. “O biólogo tem de gostar de estudar. Os estudos são para a vida toda”.

Extremamente didático ao explicar seu trabalho, Renato revela outra de suas facetas profissionais, a de professor. “De fato, sou muito didático. No futuro, parte de minha rotina de trabalho será a sala de aula”. Ele completa esse pensamento, revelando: “Vou ter muito conhecimento acumulado. Tê-lo só para mim não faz sentido. Quero compartilhá-lo”.

Dica de carreira do Renato:

  • Para ser biólogo no Brasil tem de correr atrás, demonstrar interesse. É preciso estudar muito. Não se acomodar. Dominar o inglês é fundamental para estabelecer relacionamentos com pesquisadores internacionais e manter-se atualizado. Preparo físico para o trabalho de campo e gosto por aventura