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Biólogo cria aplicativo para identificar latidos

por Fernando Porto
foto: divulgação

Do surfe e da pesca submarina nas águas de Copacabana e Arpoador, no Rio de Janeiro, até se tornar um dos nomes mais importantes da biologia marinha do Brasil, Marcelo Szpilman batalhou muito para realizar seu sonho. Após escrever cinco livros sobre peixes marinhos e tubarões, o biólogo criou aplicativos interativos de suas obras.

Curiosamente, seu lançamento mais recente é o app “Cachorros – Guia de Identificação” (US$ 0,99, para iPads e iPhones, da Caranx),um ótimo programa interativo para quem ama os cães, aprendendo por meio de jogos de memória e até por identificação de latidos. O pesquisador, que é diretor do Instituto Ecológico Aqualung, concedeu uma entrevista ao VAGAS Profissões, contando detalhes de seu fascinante trabalho.

marcelo biólogo app cachorrosop

O que te levou a criar aplicativos?
Quando criei com outro sócio uma empresa para produção de aplicativos, lançamos primeiro o “Guia de Identificação de Peixes Marinhos”, baseado no livro homônimo. Levamos cerca de oito meses para encontrar o formato correto. Depois que achamos o modelo, usamos o mesmo padrão para o de tubarões e, mais tarde, para o de cães. Trata-se de um modelo interativo no qual é possível fazer pesquisas, filtros, além de ter vários jogos e dicionários. Temos a intenção de lançar um próximo, só de gatos.

E por que ampliar os apps de peixes para os de espécies terrestres?
Eu tive um cachorro e sei que é um animal muito querido e popular. Então temos de fazer um aplicativo que tenha público para usá-lo. Além de ser um animal que todos têm interesse, as ilustrações são muito reais, parecem fotos, e permitem que a gente tenha várias interatividades.

Como surgiu sua paixão pela biologia marinha?
Nasci no Rio e pegava onda desde garoto em Copacabana e no Arpoador. Aos 10 anos de idade, comecei a fazer pesca submarina e pratiquei por vários anos de minha vida. Quando fui escolher o que ser na vida, fiz biologia marinha na UFRJ, me especializei em peixes e tubarões, e publiquei cinco livros sobre o assunto. Depois, criei o Instituto Ecológico Aqualung e estou hoje à frente da construção do Aquário Marinho do Rio de janeiro, na Zona Portuária, previsto para final de 2015.

Há mercado de trabalho?
Hoje, o campo de atuação para o biólogo é muito maior do que na época que resolvi seguir a profissão. Na época que fiz, havia uma cadeira de ecologia que nada mais era do que a relação do homem com o meio ambiente. E sabemos que é uma coisa mais ampla o meio ambiente e sua preservação. Hoje existem várias empresas no mercado de trabalho que precisam de biólogos na área ambiental. Não se abre hoje uma pequena empresa sem falar em meio ambiente e sustentabilidade. São temas e áreas onde o biólogo pode atuar porque houve uma ampliação de mercado muito grande.

E na área de pesquisa? Há apoio governamental?
Não mudou muito. A verba do governo de incentivo para pesquisas é muito pequena.

Por isso perdemos muitos talentos para outros países, não é?
Com certeza. Há também a área de magistério, na qual o biólogo pode ministrar aulas tanto de ensino médio como universitário, mas infelizmente o reconhecimento e valorização do professor pioraram.

Que atributos o jovem deve ter para seguir a biologia?
Tenho duas filhas e procuro dizer algo, que pode parecer piegas, mas é a pura verdade: a pessoa deve tentar fazer exatamente o que gosta, apesar de ser muito difícil para o jovem decidir o que vai fazer pelo resto de sua vida. O mercado é extremamente competitivo, limitado, e a pessoa só faz algo bem feito se for com paixão. Geralmente ser bem-sucedido está hoje estritamente associado a dinheiro. E não é só isso, ser bem sucedido é alcançar sua realização profissional. E, para isso, é necessário, muitas vezes, anos de insistência, correndo atrás, batalhando nesse caminho.

Outro conselho?
Encontrar um nicho que você possa atuar. Ou mesmo criar seu próprio trabalho. Isso é empreendedorismo. Foi assim que criei e dirijo há 20 anos o Instituto Aqualung – criando minha própria área de trabalho. Também fiquei sete anos trabalhando e investindo dinheiro para que o Aquário Marinho do Rio se tornasse realidade. E isso agora está acontecendo. Então, a pessoa tem de encontrar nichos profissionais e correr atrás de seu sonho.