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Da Engenharia para a Fisioterapia e, enfim, a Biofísica

Por Udo Simons

O pesquisador e professor Manoel Arcisio de Miranda Filho, de 35 anos, fala de forma muito direta sobre o fato de não conseguir controlar seus pensamentos na busca da solução de problemas e na elaboração de hipóteses científicas em seu trabalho. “Penso interruptamente em como solucionar questões propostas acerca de minhas pesquisas. É mais forte do que eu.”

Manoel é professor adjunto da Universidade Federal de São Paulo, UNIFESP. Ingressou na instituição em 2010, no Departamento de Biofísica, onde desenvolve, com maior ênfase, estudos sobre os canais de íons. Esses canais, entre outras características, são parte do sistema de controle do organismo. Para os leigos, essa informação pode soar como algo distante. Mas a distância acaba quando os tais canais falham. Os sintomas dessas falhas são bem conhecidos: a arritmia cardíaca (a alteração da frequência e ritmo do batimento cardíaco), por exemplo, relaciona-se diretamente com o mau funcionamento dos canais iônicos. A epilepsia é outro exemplo.

“Em termos técnicos, esse assunto têm grau de complexidade elevado. Um desafio é transmitir a informação adequada aos diversos públicos. Essa comunicação é extremamente difícil.”

Manoel sabe que escolheu um ramo da ciência ainda desconhecido entre as pessoas. Mas essa escolha não aconteceu de forma premeditada. Ela foi construída ao longo de sua vida.

No colegial, ele interessava-se pelas ciências naturais: física, química e biologia. Sobretudo, como ressalta, era “um curioso nato”. A área de saúde, contudo, não fora sua escolha ao prestar seu primeiro vestibular. “Fui estudar Engenharia Química.” A incursão por esse universo durou apenas seis meses. Ele logo percebeu que aquela não era sua vocação. Nesta descoberta, a presença, à época, de sua namorada, Juliana, foi muito importante. (Hoje, Juliana é sua mulher, mãe de dois filhos.)

“Ela fazia fisioterapia e me interessei pela área.” A partir desse contato, largou a Engenharia, fez vestibular para Fisioterapia na Universidade do Grande ABC e ingressou em sua graduação. Fisioterapeuta é sua formação básica. Mas começava aí a surgir, de fato, o pesquisador Manoel.

“Não me considero mais um fisioterapeuta.”

A migração de seu interesse para além da Fisioterapia começou no segundo ano de sua formação nas aulas de anatomia. “Cada vez mais queria saber como o corpo funcionava.” Com isso, a fisiologia ganhou espaço em sua agenda de estudos. Surge, então, seu interesse pela área molecular, pela biofísica, uma ciência de base. “A biofísica me oferece a possibilidade de estudar as ciências naturais e biológicas. Isso me satisfaz completamente.”

Parte dessa satisfação pode ser comprovada pelas longas horas dedicadas ao trabalho. Sua jornada começa às 7 horas da manhã e vai até às 7 da noite, todos os dias. “Sou extremamente dedicado.” Apesar dessas longas horas, ele ainda encontra tempo para brincar com seus filhos e manter sua vida pessoal em bons termos. “Minha família faz parte de meu descanso”, reforça. E enfatiza uma maneira de obter balanço entre as responsabilidades profissionais e a vida pessoal:

“Em qualquer profissão, a paixão e os sonhos são fundamentais. Minha paixão é a pesquisa científica. Meu sonho é descobrir algo importante para a vida das pessoas.”

Dicas de carreira de Manoel

  • Dedicação ao trabalho
  • Atualização constante do conhecimento
  • Curiosidade
  • Elaboração de hipóteses para estudo