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Jovens com Down vencem o preconceito

Por Lucia Helena Corrêa
Fotos de Rogério Montenegro

Síndrome de Down não é doença. Nem física, nem mental. Aquilo que, hoje, pessoas informadas e bem intencionadas repetem, de tanto ouvir, Rodrigo Marinho de Noronha, 42 anos, assessor parlamentar, e José Francisco Lelot, o Zeca Lelot, 27, bancário, se encarregam de provar.

Portadores da alteração genética – possuem a soma de mais um cromossomo aos 46 que normalmente caracterizam o ser humano – eles se se mostram capazes nas tarefas que assumem. O desenvolvimento é mais lento, sobretudo, na primeira infância. Mas, estimuladas, as pessoas com a síndrome, nas vidas pessoal e profissional, podem ser mais inteligentes, criativas e produtivas do que os humanos com 46 cromossomos. Com a vantagem, cientificamente reconhecida, de exibirem personalidade altamente cooperativa, amigável e afetiva.

Rodrigo MarinhoRodrigo, depois de se destacar como o primeiro portador de Síndrome de Down a trabalhar como assessor parlamentar, por longos sete anos, no Congresso Nacional, em Brasília, há um ano, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde desempenha a mesma função, na qualidade de braço direito do deputado Otávio Leite (PSDB).

“Quando saí do Congresso Nacional, somente porque queria morar no Rio de Janeiro, uma cidade linda, fizeram uma festa de bota-fora que me emocionou. Ainda hoje, as pessoas me telefonam e mandam mensagem. Têm saudade”, conta o assessor, que lá se ocupava de dezenas de serviços de apoio administrativo, nos escritórios.

Atribui seu sucesso, “em princípio”, à mãe, Diva, que “jamais desistiu dele”, não o segregou, ao matriculá-lo em boas escolas da rede de ensino regular, além de garantir tratamentos de fonoaudiologia e fisioterapia. “Eu sou um profissional realizado, uma pessoa feliz”, diz ele.

ZecaAssim também se sente, e com razão, Zeca Lelot: feliz. Apesar da recente demissão, depois de dois anos de serviços prestados ao banco onde trabalhava. Lá, era ele quem preparava o ambiente dos cursos e palestras, o que incluía todo o suporte necessário, inclusive a instalação de computadores e outros equipamentos de apoio. Também atendia no SAC (Serviço de Atendimento a Clientes), com alta produtividade.

“Saí não por incapacidade, mas por motivo de redução de custos”, faz questão de explicar Rodrigo, que estudou em escolas da linha montessoriana – método de ensino criado pela pedagoga e educadora italiana Maria Montessori, e que consiste em harmonizar a interação das forças corporais e espirituais, com a inteligência e a vontade.

Mas Zeca nem precisava explicar nada, tamanha a inteligência, rapidez de raciocínio e senso de humor que, nele, saltam aos olhos e ouvidos. De novo, um sucesso cuja construção se deve à mãe, Idely, que também escolheu misturá-lo, nas escolas de ensino fundamental e técnico, aos colegas que não têm a síndrome, além de matriculá-lo em cursos de formação profissional em informática e de música.

Hoje, orgulhosa do trabalho que fez, usando a experiência adquirida, Idely está ligada aos movimentos de defesa dos direitos dos portadores de Síndrome de Down. Ao mesmo tempo, dedica-se à produção de jogos pedagógicos e livros que registram grandes histórias de vida. Missão cumprida.

Dicas de carreira do Rodrigo e do Zeca

  • Acredite que você sempre pode fazer melhor (Rodrigo);
  • Nunca desista. Tem de lutar (Rodrigo);
  • Estude sempre. Leia muito e observe (Zeca);
  • Seja caprichoso (Zeca);
  • Se você se esforçar, vai achar sempre quem ajude (Zeca).