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Fazer playlists: esse emprego existe!

Tem gente escutando música o dia inteiro e ganhando salário para isso

por Fernanda Bottoni
fotos por Rogerio Montenegro

Imagina como seria passar o dia todo ouvindo música, fazendo playlists, descobrindo artistas e bandas e ainda ganhar para isso. Não é sonho, não. É o que faz Yasmin Muller, de 25 anos, gerente editorial da Deezer, serviço de música por streaming que iniciou as operações no Brasil em 2013. Quer dizer, é exatamente isso, mas também um pouco mais.

Formada em Audiovisual pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Yasmin, que nasceu em Fortaleza e se mudou para São Paulo para estudar, tem essa função desde dezembro de 2012. Ela foi uma das primeiras pessoas contratadas pela empresa francesa, meses antes do início das suas operações por aqui.

Música no sangue
“Desde a faculdade sempre trabalhei com rádio, festival e vários eventos que tinham ligação com a música”, diz ela. “Sempre trilhei esse caminho”, conta. Yasmin começou a carreira trabalhando com programação musical da Rádio UFSCar. Fez isso por três anos. No final de 2010, foi para a MTV Brasil como coordenadora de programação. Entre agosto e novembro de 2012, foi ainda repórter da mesma emissora.

Hoje, na Deezer, ela cuida de tudo o que é ligado a conteúdo. A parte mais legal, ela garante, é mesmo a criação de playlists e curadoria de seleção editorial. “Os discos mais interessantes eu seleciono como destaque e recomendação”, explica. “Eu ouço música o dia inteiro, da hora que chego até a hora de ir embora, só paro um pouco quando tenho reunião”, confessa ela, feliz da vida, claro.

Todos os estilos
Só que ouvir música, no seu caso, não significa apenas botar pra tocar suas faixas preferidas e deixar rolar. Nada disso. Yasmin tem de ouvir de tudo. “O bom é que eu gosto de quase tudo, muita música brasileria em geral, música do mundo, africana, latina, e música alternativa também”, diz ela. “Metal não é muito a minha praia, mas eu ouço tanto quanto os outros estilos”, garante.

Yasmin Muller

Além disso, de tudo o que ela ouve, noventa por cento é novidade. “A Deezer tem mais de 30 milhões de faixas e eu faço uma triagem, tento ouvir a maior quantidade possível para descobrir coisas raras, dar visibilidade para os artistas e recomendar coisas novas para os usuários”, afirma.

Entre suas tarefas estão programação de rádio, criação de playlists, edição e tradução de textos, comunicação, marketing. “Eu escrevo também, todo conteúdo passa por mim”, explica. “No momento, estou fazendo três rádios, que são Brasil Anos 60, Anos 70 e Anos 80”, conta ela. “Tenho de fazer isso da forma mais incrível que puder para ficar ali para sempre, sem repetir músicas”, explica. Isso quer dizer selecionar de 300 a 500 faixas para cada rádio.

Relacionamento com artistas
Além disso, há também uma parte de relacionamento com artistas e gravadoras para trabalhar planos de promoção de álbuns, visibilidade, conteúdo etc. Pois é, embora o trabalho seja divertido, sua rotina é intensa. Raramente ela trabalha menos de nove horas diárias. O horário, ela diz, é flexível, mas a cobrança por resultado não.

E, para quem ficou interessado em fazer o que ela faz, aqui vão suas dicas:

1 – “É preciso gostar de todo tipo de música. Tem gente que é focado num único nicho ou estilo. Aqui não tem como a pessoa ter uma preferência muito fechada porque precisamos nos comunicar com todos os públicos.”

2 – “Para entrar nessa área, você pode deve tentar trabalhar com o máximo de coisas ligadas à música. Eu mesma fiz rádio, rádio online e até fui repórter. Tudo isso ajuda a entender como é esse mercado, o que as pessoas ouvem, como e por que isso muda o tempo todo. ”

3 – “É preciso ter vontade de buscar o novo. Tem gente que ama música, mas não vai muito além do que já está consagrado no mercado. Eu, desde bem cedo, ia á loja de discos e ficava procurando coisas que ninguém conhecia. Eu queria encontrar sozinha. Acho que a ideia é essa, você achar tesouros que ninguém descobriu ainda.”

4 – “A formação na área também pode ajudar. Eu mesma fiz audiovisual, mas meu curso na USFCar era muito focado em cinema. Então, para entrar na área, fui logo trabalhar em rádio.”