Home > Carreiras > Audiovisual > Audiovisual: produção nacional volta a caminhar

Audiovisual: produção nacional volta a caminhar

por Fefa Costa
fotos por Rogério Montenegro

O mercado audiovisual registrou crescimento significativo nos últimos anos. Especialistas da área atribuem o crescimento à Lei 12.485/2011, que criou regras para o setor, com a exibição de conteúdo nacional na programação de emissoras de TV por assinatura, influenciando o segmento.

Um cenário que antes dependia exclusivamente da iniciativa pública, a partir da lei, encontrou espaço também na iniciativa privada. Outro aspecto é que o aumento na busca por mão de obra especializada impactou na formação. Houve uma propagação de cursos, tanto de graduação quanto técnicos.

Roteiro, direção, produção, direção de arte, direção de fotografia, captação de som direto, montagem e editor de som são algumas qualificações oferecidas para capacitação e procuradas por empregadores do setor. Mas o interesse do profissional é que dará o tom para complementar e aprofundar seus conhecimentos.

Para Ana Maria Giannasi, professora do curso de Bacharelado em Audiovisual do 
Centro Universitário Senac, o mercado está aquecido e com perspectivas bastante otimistas de consolidação. Mas a indústria audiovisual ainda não possui um mercado autossustentável e ainda depende de políticas públicas e ações governamentais.

“Se, de fato, estas políticas conseguirem alcançar o principal objetivo – que é a consolidação de um mercado – acreditamos que será uma área com um enorme potencial de crescimento”, comenta a professora.

Dois mercados se destacam para os profissionais do setor: o cinema autoral e a publicidade/televisão. A docente explica que, para os diretores, o diferencial está principalmente na capacidade de se adaptar aos modelos de produção exercidos em cada um desses meios.

A publicidade e a televisão exigem uma produção ágil, com uma pauta de filmagens rígida e sem muitas possibilidades para alterações sobre decisões de patrocinadores, clientes ou público.
 O cinema de autor, ao contrário, pode trabalhar com outro modelo de produção, menos rígido, com equipe mais enxuta, com mais tempo e com maior margem de negociação.

Para os profissionais das outras áreas, os modelos de produção podem afetar o ritmo do trabalho e algumas questões mais pontuais de concepção. Mas não chegam a impedir a atuação destes profissionais nas duas áreas, basta estar atento à formação acadêmica e pessoal.

“A colocação no mercado exige aprimoramento constante do conhecimento e muita paciência. Sempre existirá alguém com mais conhecimento e mais experiência do que o recém – formado. É importante ter sabedoria para entender isso.”

Publicidade e TV
Ricca Galeano está há mais de 30 anos no mercado. Começou como produtor musical e teve seu próprio estúdio antes de se mudar para Los Angeles (EUA) e começar a trabalhar com cinema.

“Cinema funciona com o conhecimento de pessoas do meio. Tem que trabalhar para ser conhecido. Acho difícil sair de uma faculdade sem ter trabalhado no meio antes. É um mercado muito fechado.”

Ricca_Galeano_062 OK

Ele, que atua intensamente no mercado publicitário, recomenda aos inciantes investir em estágios e atuar. Trabalhar é a principal forma de adquirir experiência, criar relacionamento e tornar-se conhecido. “Para publicidade, tem que fazer bons contatos em agências e produtoras.”

Hoje Galeano tem sua própria produtora e está sempre em parceria com grandes agências e campanhas de alto orçamento e impacto. Depois de passar por tantas mudanças no meio, ele mantém a paixão pela profissão. “Sou totalmente feliz e faço o que mais: produzir”, diz ele.

Cinema autoral
Tiago Brandimarte Mendonça já dirigiu oito filmes e atuou como roteirista em outros 10. Uma jornada intensa, para quem seu fez primeiro filme aos 30 anos. “Você começa a fazer cinema quando perde o medo.”

A ideia de se dedicar a algo específico tomou forma com a chegada de sua primeira filha. O segundo passo foi encontrar seu grupo, pessoas com os mesmos interesses para compartilhar o desafio da uma montagem. Em outras palavras, relacionamento também é fundamental para quem optou pelo cinema de autor.

“Para cinema é bom ter uma turma de idealizadores, e eu não tinha. Meu processo era mais solitário até encontrar meus parceiros no teatro”, conta. Mendonça destaca a importância de estar sempre assistindo filmes, conversando sobre cinema, pesquisando e estudando. “Você se dedica integralmente ou depende da sorte. É um meio restrito… Muita gente para pouca grana.”

Tiago_Mendonça_675 dois

Mendonça diz que não existe uma política de Estado para o incentivo à produção cinematográfica. Você precisa criar seu espaço: fazer cinema é aprender a lidar com restrições.

Em seu primeiro filme como diretor, ganhou o prêmio de melhor diretor no Festival de Brasília, em 2008. Revela que a chave de sua produção está na percepção pessoal das coisas e manter o foco a longo prazo. Desenvolver esteticamente uma ideia e refletir continuamente sobre ela é um conselho para quem busca o cinema como arte.

“Arte é risco. As pessoas mais interessantes são as que arriscaram a fazer algo novo, algo que vai além.” Seus filmes participam de diversos festivais, nacionais e internacionais, uma forma de fazê-los circular. Aqui, a vaidade passa longe. A intensão é dar visibilidade à produção e abrir portas para projetos futuros – premiações pesam no currículo dos profissionais envolvidos. Mas a alegria não está no prêmio ou no prestígio. “O prazer de fazer um filme é vê-lo realizado e fazer com que ele circule”, afirma.

Tipos de formação

Cursos superiores (bacharelado): Duração de quatro anos. O currículo do bacharelado em audiovisual compreende no primeiro ano de disciplinas teóricas e, a partir do segundo ano, de aulas práticas.

Nível superior (tecnólogo): Duração média de cinco semestres. O curso tecnológico em audiovisual dá ênfase aos trabalhos práticos e técnicos. O objetivo é formar profissionais especializados na criação e produção de obras ficcionais e documentários.

Nível Médio (curso técnico): Duração média de dois anos. Existem muitas opções para quem quer fazer um curso técnico na área de audiovisual. Cursos variados formam técnicos em área específicas, como técnico em produção digital, web e multimídia, e edição sisual para mídias digitais.

Cursos livres (duração variável): Os cursos livres tanto servem para formar profissionais em uma área bastante específica, como para atualizar o profissional sobre as novas tecnologias. Indicado para quem precisa aprofundar conhecimentos específicos em qualquer fase profissional.