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Maria Amélia Vieira: arte acadêmica e cultura

Por Fefa Costa

Maria Amélia VieiraA artista visual Maria Amélia Vieira, 58 anos, iniciou os estudos de arte ainda com 12 anos de idade, no atelier da tia materna Maria Teresa Vieira, no Rio de Janeiro. Nascida em Alagoas, toda formação de Amélia ocorreu no Rio, primeiro com a tia, dos 12 aos 17 anos, depois com o artista e educador Augusto Rodrigues (1913-1993), com quem buscou aprofundar noções de teoria da arte.

“Nunca fui uma criança barulhenta, sapeca”, conta a artista. “Minhas brincadeiras de infância sempre tinham lápis de cor, papéis coloridos, recortes, escritos ilustrados. Minha infância foi banhada de ludicidade, criatividade e silêncios. Por causa do silêncio, minha família dizia que eu seria filósofa. Mas os meus brinquedos mais queridos eram os blocos imaculados de papel que minha mãe me presenteava, acompanhados de estojo de lápis de cor, bonecas de pano e panelinhas de barro”. No atelier da tia, ela diz que foi “impregnada” pelo cheiro da tinta. “Foi um mergulho profundo nos materiais, nas matérias, no universo da arte”.

Como afirma Amélia, “não adianta fugir” daquilo que você é. “Acho que desde a infância já existia a artista em mim”. Aos 17 anos, começou a trabalhar no atelier da tia professora, onde, até os 23 anos, repassou a outros iniciantes os conhecimentos que adquiriu.

Com uma carreira reconhecida em Alagoas, onde optou por morar, e com uma atuação prestigiada no mercado nacional, seja como artista visual, seja como colecionadora e galerista (ela mantém desde 1983 a galeria de arte Karandash). Amélia diversificou muito suas funções, pesquisando a arte popular nordestina, aliando em seu trabalho artístico a pintura, o bordado, a cerâmica e outras técnicas, mantendo um fértil diálogo com a artesania popular. “Meu trabalho fala da poética do corpo”, diz.

Como produtora cultural, ao lado do marido, o também artista visual Dalton Costa, Maria Amélia Vieira criou o projeto “Museu no Balanço das Águas”, que dá suporte à ação de arte educativa proposta pela Coleção Karandash de Arte Popular e Contemporânea, o museu que ela e Dalton fundaram em 2010.

Um barco foi adquirido pelo casal para realizar essas atividades em comunidades carentes localizadas às margens do rio São Francisco, no alto sertão alagoano. Editais do Banco do Nordeste, Caixa Econômica Federal, Funarte entre outros, patrocinam essas jornadas culturais por lugares como Ilha do Ferro, povoado do município de Pão de Açúcar, onde proliferam eximias bordadeiras e mestres populares da escultura e design de móveis.

“Esses editais são maravilhosos porque oferecem a oportunidade de concretizar projetos que jamais seriam possíveis com dinheiro próprio. Esse trabalho junto ao Museu Coleção Karandash é muito bacana porque atenta para dois pontos primordiais em nossas vidas: capacidade de enxergar o outro e de servir”

Com uma média de rendimento anual em torno de R$60 mil, a artista se diz “muito feliz” com o trabalho que escolheu. Ela também coordena o projeto “Tecendo a Manhã”, patrocinado pela Funarte, com apoio do Sebrae-AL, propondo uma interação entre dois grupos de bordadeiras: aquelas da Ilha do Ferro e outro grupo de mulheres do histórico povoado de Entremontes, assim batizado pela Princesa Isabel (1846-1921), outrora rota do cangaço no município de Piranhas.

Dicas de carreira da Maria Amélia

  • “Diversificar é fundamental. Costumo dizer que além de artista plástica, sou consultora de design, professora, colecionadora, galerista e produtora cultural. Imagine, como é possível fazer tanta coisa ao mesmo tempo? Sou muitas”;
  • “Compromisso e intensidade em seu trabalho autoral. Infelizmente disponho hoje de quatro horas/dia para o meu trabalho autoral. É muito pouco. Preciso mergulhar, me fechar no atelier e produzir com mais afinco a minha obra. A minha produção é pequena, mas intensa”;
  • “Quando se tem como destino a arte, nada é fácil. Por isso tantas funções, tanta luta e muitas descobertas”.