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Carnaval: desmistificando o ofício do carnavalesco

Profissional da área revela detalhes do dia a dia de trabalho

por Guss de Lucca

Durante os dias de desfile muito se fala da figura do carnavalesco, mas nem todos compreendem as tarefas que envolvem essa profissão, talvez a mais característica do Carnaval no Brasil. Responsável por tudo o que a escola paulistana Acadêmicos do Tucuruvi apresenta, Wagner Santos monta toda a plástica do desfile, incluindo conceitos como cores e harmonia.

O dia a dia

“Desde as roupas dos diretores até os grandes destaques nos topos dos carros alegóricos, todos os elementos da escola de samba têm que passar pela mão do carnavalesco”, explica ele, ressaltando a importância do contato direto com os integrantes da agremiação.

“É preciso saber o que se quer da comissão de frente, dos casais de mestre-sala e porta-bandeira. Não pode simplesmente pegar um papel e jogar na mão das pessoas. Hoje o espetáculo possui uma logística enorme e o público que comparece na avenida não espera nada menor que um grande espetáculo”, complementa.

Artista plástico autodidata, ele começou a carreira decorando pequenas peças religiosas e logo passou a atuar na confecção de fantasias para concursos oficiais – peças que ele inclusive vendia para o exterior.

“Eu já tinha um ateliê de fantasias de luxo e experiência em cenografia quando o então presidente da Mocidade Alegre, de São Paulo, me convidou para trabalhar como carnavalesco em 1997. Fiquei três anos na escola, depois dez na Unidos de Vila Maria e atualmente estou na Acadêmicos do Tucuruvi”.

Samba enredo do Carnaval

Questionado sobre a participação do carnavalesco na escolha do samba enredo, Santos afirma que sua opinião tem peso na decisão final. “Como toda a arte do desfile está na cabeça do carnavalesco, ao escutar o samba ele pode dizer se aquilo forma um belo casamento ou não com o que ele quer apresentar na avenida”, diz.

Após essa escolha tem início um trabalho de pesquisa, crucial para o resultado final. “Hoje você perde o Carnaval com uma pesquisa mal feita”, alerta o carnavalesco, que enxerga na falta de mão de obra um problema aos próximos anos de Carnaval. “O tempo vai ficando mais curto e não estão se formando novos profissionais de qualidade”, lamenta.

Para Santos, além do respeito pelos demais trabalhadores e interesse por arte, a principal dica aos interessados no ofício passa longe das fantasias ou sambas. “Acho que a pessoa tem que gostar muito de ler. Começar a entender o significado de histórias, dos livros. Esse é o grande segredo pra ser um bom carnavalesco. Através da leitura a gente consegue todas as informações necessárias para dar início a um bom Carnaval. Eu pelo menos penso assim.”

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