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Quando o grafite vira trabalho

Arte de rua se valoriza e invade residências e diversos ambientes corporativos

por Guss de Lucca
fotos: arquivo pessoal

Com o passar dos anos as grandes metrópoles brasileiras tornaram-se palco de diversas manifestações artísticas, entre elas o grafite, umas das mais simbólicas expressões da street art.

Segundo o grafiteiro e artista visual Enivo, o grafite em si não é uma profissão, mas uma ferramenta de pintura, um estilo de vida, feito na rua sem autorização e sem remuneração. “Essa é a ideia principal. Porém, sua linguagem pode se tornar um caminho dentro das artes plásticas”, defende o paulistano de 28 anos.

“Tinha 12 anos quando comecei a pintar as ruas de casa, na região do Grajaú, em São Paulo, e foi assim que descobri outros bairros. Junto do Jerry Batista e do Alexandre Niggaz, que eram mais velhos que eu, aprendi que podia ganhar dinheiro com trabalhos de aerografia, pintando portas de lojas, por exemplo”, diz ele.

 

grafiteiro 2

Autodidata
Para Enivo, a carreira do grafiteiro deslancha depois dos 30, pois depende muito da prática e do amadurecimento do estilo do artista. “Nunca deixei de estudar, tanto de forma autodidata, nas ruas, quanto no ensino formal, onde cursei artes visuais e aprendi que a arte caminha em campos além do grafite.”

O momento também foi propício. Enquanto há 15 anos o grafite era visto como contravenção por grande parte da sociedade, hoje o estilo faz parte do cotidiano e pode ser vista em comerciais de televisão e novelas. Ganhou popularidade e passou a ser requisitado para decorar casas e empresas.

“Hoje, um muralista ou artista plástico pode ganhar dinheiro com o grafite. Mas o grafiteiro de fato não busca ganhar a vida com isso. Ele está pintando na rua sem busca de retorno algum – é importante deixar isso claro”, diz Enivo.

Por causa da sua arte, Enivo viajou o mundo e fundou sua própria galeria de arte, onde promove exposições e faz curadoria.

Arte urbana
“Além do grafite de rua mantenho meu trabalho como artista, pinto quadros, faço decorações, campanha para marcas, live paints (apresentações) e dou palestras. O grafite me mostrou vários outros campos de atuação dentro da linguagem de arte urbana”, reflete.

Enivo vê o mercado atual com altos e baixos, acompanhando de perto a economia do País. Grandes eventos no Brasil, como a Copa do Mundo, deram visibilidade aos artistas. “Cada um tem seu preço, vai de acordo com a trajetória dele, com o known how… os valores podem variar de R$ 200 a R$ 500 mil, não tem uma base.”

Curtiu e quer seguir os passos de Enivo? O artista recomenda, além da dedicação integral e do estudo, que o aspirante saiba se comunicar e que organize seu portfólio, focando no desenvolvimento de um estilo próprio. “O mais importante é ser original. Quando o artista atinge a originalidade ele tem êxito”, diz ele.