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Quando ser palhaço é coisa séria

Integrante do grupo Doutores da Alegria conta como é o seu trabalho

por Guss de Lucca

O ator Heraldo Firmino tinha 14 anos quando entrou no universo das artes, na época ao aprender a tocar violão. Mas foi apenas quando entrou para o teatro amador que descobriu, por meio do estilo conhecido como commedia dell’arte, que tinha vocação para ser palhaço. E foi dentro desse universo que ele logo encontrou a função que mudaria sua vida: ser um doutor da alegria.

“Uns dois anos depois da minha iniciação como palhaço surgiu um edital para trabalhar em um hospital e eu me inscrevi – mesmo com dúvidas sobre o serviço, pois assim como a maioria das pessoas eu tenho aflição de hospital”, recorda Firmino, que atualmente é coordenador do Programa de Formação de Palhaço para Jovens da Escola dos Doutores da Alegria.

Doutores da Alegria
De acordo com ele, as pessoas costumam confundir um palhaço com um doutor da alegria. Um palhaço que atua dentro de um hospital não necessariamente é um doutor da alegria. Para pertencer ao grupo é preciso passar por um treinamento rigoroso, onde o candidato vai invariavelmente descobrir na prática se consegue ou não desempenhar essa função.

Palhaços do Doutores da Alegria“Antes de entrar eu tive uma formação de palhaço. Depois fiquei um ano trabalhando ao lado de um palhaço experiente, pois entrar nesse universo não é fácil. Você precisa aprender a lidar com o ambiente hospitalar, com as crianças, seus pais e com os profissionais de saúde”, explica o coordenador.

“Todo mundo que entra passa por esse processo de treinamento para sentir se quer e tem condições de trabalhar no hospital. Já passaram palhaços maravilhosos aqui, mas que não davam conta de atuar por uma série de questões. A energia dentro do hospital é pesada. Uma coisa é fazer um espetáculo para crianças saudáveis, pulando… Outra é estar em um lugar com crianças debilitadas”, completa.

Para Firmino o grande diferencial dos integrantes dos Doutores da Alegria é mesmo esse preparo e o profissionalismo com que trabalham. Entre as regras a que eles se sujeitam destaca-se a de disponibilizar dois dias da semana para atuar no mesmo hospital e mais um dia extra apenas para melhorar seu treinamento. “O aprendizado é ininterrupto. Quanto mais trabalha melhor fica”.

O mercado
Questionado sobre o mercado atual para um palhaço, o coordenador acredita que o profissional que levar o ofício a sério e estudar para dominar as técnicas e instrumentos não ficará sem serviço. “Não conheço nenhum palhaço do nosso elenco que não tenha outra atividade, como cinema, TV, teatro, eventos. Todo mundo trabalha bastante”, garante ele.

“No nosso curso, que é aberto a cada dois anos para jovens estudantes, ensinamos a escrever projetos para editais culturais, por exemplo. Temos alunos que se formaram e viajaram pelo Brasil de carro parando em praças e montando espetáculos. Eles custearam a viagem só com essas apresentações em praças, restaurantes… Isso te dá um estofo enorme”.