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Atriz PCD Priscila Menucci: do escritório para os palcos

Por Fefa Costa

Foi em um evento da empresa, onde atuava na área de Recursos Humanos, que Priscila Menucci, 38 anos, recebeu a proposta que mudaria o rumo de sua carreira: trabalhar como atriz.

Ela desconfiou no começo. Em poucos meses, contudo, já estava com a agenda lotada de compromissos em festas e eventos. Foi questão de tempo para a rotina administrativa dar lugar à arte.

Com 91 centímetros, Priscila desbancou atrizes de alturas convencionais e conseguiu o papel

Com 91 centímetros, Priscila desbancou atrizes de alturas convencionais e conseguiu o papel

O passo decisivo foi a peça teatral O Mágico de Oz.

“Se fosse aprovada, deixaria tudo de lado e me dedicaria à atuação. Era o que meu coração pedia. Fiz o meu melhor”, afirma.

Na hora do teste, nada feito: a produtora avisou que ela não seria aprovada – era pequena demais. “Eu sofri discriminação em uma seleção de anões! Até para o padrão de anão eu estava fora”, conta aos risos.

Com 91 centímetros de altura, presença contagiante e muito talento, Priscila conquistou o diretor da peça, que fez questão de tê-la no elenco. “Fui lá e mostrei que sou capaz. Foram 10 anos em cartaz, com temporadas dentro e fora do país.”

Do mundo corporativo, a atriz aprendeu muitas lições. A principal delas é que se você não mostrar que é capaz, ninguém vai te procurar.

“Ingressei no mercado antes das cotas [para pessoas com deficiências]. Fiz testes de igual para igual. Não é porque você é pequeno que não tem talento.”

Priscila produz peças e eventos. Batalha com dignidade para manter seu espaço. “Tem pessoas que acham que nanismo é ‘palhacinho’. Eu sou atriz e não aceito agressão. Para fazer rir tem que haver respeito.”

Com 13 anos de carreira artística a atriz garante estar feliz com que conquistou. Ela foge da palavra “superação” e revela: É o querer que faz acontecer.

Dicas de carreira da Priscila

  • Preserve sempre a autoestima e os valores familiares. Não se deixe levar pelas situações que não fazem bem.
  • Estude, faça bons cursos e busque ter um aprendizado de qualidade. Esta é a única maneira de ter bons trabalhos e oportunidades.
  • A inclusão de pessoas com deficiência não é completa em nosso pais. Precisamos de mais cursos de capacitação para a inclusão ser feita de fato.