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As armas da porta-bandeira no Carnaval

Simpatia e elegância são características principais da pessoa

por Guss de Lucca

Dentro de um desfile de Carnaval existem posições de destaque, mas poucas podem se comparar a da porta-bandeira, que, ao lado do mestre-sala, tem como função ostentar o pavilhão (bandeira considerada o símbolo máximo de uma escola de samba) esbanjando elegância e simpatia.

Gestora de Recursos Humanos, Jussara Souza desempenha esse papel na escola paulistana Acadêmicos do Tatuapé desde 2011. Ao lado do parceiro Diego, com quem dança há mais de 15 anos, ela forma o primeiro casal da agremiação, responsável por cativar os juízes no dia do desfile de Carnaval.

A história da jovem começou em família, quando aos dez anos ela assistia a prima atuar como porta-bandeira da Unidos do Peruche, também em São Paulo. “Ia com a minha tia e ajudava carregando as sandálias. Até que surgiu a oportunidade de ser porta-bandeira mirim na Águia de Ouro, onde desfilei até 2008”, conta ela.

Convites de Carnaval

O casamento e a gravidez acabaram afastando Jussara da avenida em 2009, mas no ano seguinte ela retornou – timidamente – na escola de samba Só Vou Se Você For. “No mesmo ano a gente foi para a AMESPBEESP (Associação de Mestre-salas e Porta-bandeiras e Estandartes do Estado de São Paulo), onde surgiu o convite para fazer um teste na escola de samba Acadêmicos do Tatuapé, para ser o primeiro casal”, relembra.

Carnaval: porta-bandeira Jussara Souza

Com a responsabilidade de carregar o pavilhão, a porta-bandeira entende a pressão de seu papel no desfile e revela algumas de suas obrigações. “A função é ostentar o pavilhão com elegância e simpatia. Não pode usar roupa sensual, pois ela atua como a primeira-dama da escola. E por ser parte do primeiro casal tenho a responsabilidade da nota, que é vital para a conquista do título.”

O condicionamento físico também é parte importante do processo de Carnaval, já que a fantasia da porta-bandeira pode chegar a pesar mais de 40 quilos. “Já desfilei com 45 quilos”, conta, deixando claro que nada disso atrapalha a emoção no fim da avenida. “Assim que termina o desfile você não sente nada. Só no outro dia a gente sente o pé doendo”, comenta.

Salário

Apesar de não receber salário, a porta-bandeira diz que como contratada da escola ganha uma ajuda de custo referente às horas dedicadas nos ensaios, que começam quase um ano antes do desfile e se intensificam com a proximidade do Carnaval.

Para ela, a principal característica necessária para uma aspirante à porta-bandeira é a simpatia. “Tem que estar de bem com a vida, sempre sorrindo – mesmo em momentos que a vida pessoal não vai bem. Já passei por situações em que não estava legal, mas não deixei o lado pessoal afetar o profissional. Ao se aproximar da porta-bandeira as pessoas precisam sentir essa felicidade.”

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