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Estudante fala de seu emprego como aprendiz

Futura publicitária fez uso de contrato especial que permite aos jovens trabalhar 

por Guss de Lucca
foto por Newton Santos

Comemorado em 24 de abril, o Dia Internacional do Jovem Trabalhador tem como principais objetivos ressaltar a importância dos adolescentes no mercado de trabalho e chamar a atenção para o preconceito sofrido por trabalhadores sem experiência – o que talvez seja o maior desafio dos profissionais que buscam seu espaço pela primeira vez.

De acordo com a Constituição Brasileira, é proibida a realização de qualquer tipo de trabalho por jovens com menos de 16 anos – a não ser que se trate de um aprendiz, que tenha no mínimo 14 anos e possua um contrato especial de trabalho no qual, entre outras exigências, seja respeitada a obrigatoriedade de frequência no ensino regular, como exige o Estatuto da Criança e do Adolescente.

Foi dentro desse universo que a estudante de publicidade Larissa Deloste encontrou uma oportunidade. Em 2013, então com 16 anos, ela resolveu que era hora de começar a trabalhar. “Me cadastrei no CIEE (Centro de Integração Empresa Escola) e quando fui à sede deles, em São Paulo, me avaliaram para uma vaga dentro da editora Abril”, conta ela.

Primeiro emprego
Encaminhada à editora, Larissa foi entrevistada por um profissional de Recursos Humanos e pelo gestor da área de Marketing Segmentado. “Disse a eles que era o meu primeiro emprego e me perguntaram por que eu queria começar a trabalhar. Respondi que queria ter responsabilidades novas e buscar meu crescimento pessoal”, recorda a jovem, que foi chamada poucos dias depois.

A rotina, de acordo com ela, era puxada. Moradora do bairro da Freguesia do Ó, Larissa entrava na escola às 7h30 e saía correndo às 12h30, indo direto para o ponto de ônibus que a levava até o novo serviço. Após chegar, tinha meia hora para trocar o uniforme da escola e almoçar. Depois ajudava na parte financeira, trabalhando com pagamento e emissão de notas das 14h às 20h.

O único dia diferente para a estudante era sexta-feira, quando ao invés de trabalhar no departamento ela cursava administração com jovens de outras empresas – parte do trabalho de aprendiz. “Era como um dia de trabalho: se faltasse eu perdia um dia de serviço”, ressalta ela, deixando clara a importância do curso.

Aprendizado
Do aprendizado desse período, que durou um ano, Larissa guarda recordações de momentos difíceis, mas igualmente proveitosos para sua vida profissional. Muitos deles ocorridos nas semanas de fechamento, quando as revistas da editora entram no processo final antes de ir para as bancas.

“O telefone tocava o dia inteiro. Cuidávamos do pagamento de colaboradores que emitiam notas e muitos ligavam nervosos, cobrando o dinheiro que não havia caído sem saber que muitas vezes o pessoal das revistas não tinha passado os dados para efetuarmos o pagamento. Cheguei a chorar nos primeiros dias, mas logo me acostumei”, diz a jovem.

Além de aprender a lidar com o temperamento alheio, Larissa, que começa a faculdade de publicidade em julho, também auxiliou outros jovens que entraram na editora durante seu período. “Sempre que entrava um aprendiz novo eles me mandavam ensinar o serviço, já que, por um período, fui a aprendiz com mais tempo de casa – algo que também me fez aprender muito a trabalhar em equipe”, comenta.

Agora, a futura publicitária comemora a possibilidade de poder trabalhar como funcionária registrada e diz que espera crescer cada vez mais, levando consigo toda a bagagem de uma jovem aprendiz. “Quando entrei na Abril conheci mais sobre publicidade, entrei em contato com esse mercado e tive certeza de que é isso que quero.”

*Confira as diversas dicas de emprego e as dicas de carreira publicadas no VAGAS Profissões