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Você sabe planejar sua carreira?

Por Fabíola Lago

Antony Santos, 24 anos, administrador, sabe o que quer. Quando decide investir em um novo emprego, marca até a data da transição. Escolhe inclusive a empresa. Planeja, revê o currículo, consulta professores, deixa sucessor para sair sem prejudicar a empresa. Sem “QI” (o famoso “quem indique”), sem um networking familiar de altas posições, Antony tem um perfil cada vez mais precioso para as empresas: aberto ao aprendizado, comprometido e obstinado.

Aos 10 anos, Antony trabalhava na clínica de exames para motoristas da tia. Aos 12, na casa de ração do bairro. A mãe percebeu o potencial do filho e quando fez 15 anos, o matriculou no curso do CAMP – Centro de Aprendizagem e Monitoramento Profissional. Foram cinco meses de dedicação. Antony acordava antes das seis horas da manhã e saía da última aula às seis da noite. O esforço valeu uma vaga como aprendiz na indústria Plásticos Mueller. Em dois anos já estava efetivado trabalhando na área financeira, onde ficou por três anos.

Outro voos

Apesar de gostar do que fazia, tinha sonhos mais altos. Passou no vestibular da Faculdade São Judas em Administração. Até pensou em fazer Rádio e TV, mas o pai questionou se não seria uma área muito fechada, pois sabia que o retorno não seria tão rápido. Agora, queria mesmo era trabalhar em uma multinacional, uma empresa grande, com novos desafios e possibilidade de ascensão.

Começou a planejar sua transição. Refez seu currículo, criando um modelo próprio, onde destacou suas principais realizações e competências com a ajuda de uma professora de RH da faculdade. Passou a pesquisar vagas de seu interesse dentro desses critérios.

Sábio, treinou uma pessoa durante um mês para ficar em seu lugar, caso alegassem que não pudesse sair imediatamente, quando surgisse uma vaga. Acertou na estratégia: quando uma das maiores consultorias empresariais do mundo o chamou para o processo seletivo, pôde deixar o trabalho sem qualquer prejuízo para a empresa. Chegou a fazer hora extra no último dia, e sem pausa, iniciou a carreira desejada em uma grande corporação, na semana seguinte. “Minha vida deu uma guinada”, relembra.

Posicionado para atender a Unilever, em sistema de outsourcing, outra empresa de dimensões globais, também na área financeira, ele havia se candidatado para uma vaga onde ganharia menos que no emprego anterior, mas considerava um recuo necessário para alçar novos voos, mas a empresa reconheceu suas habilidades e antes da contratação, aumentaram a oferta salarial. Foi um ano de dedicação. Mas percebeu que com tantos funcionários e um modelo de gestão verticalizado, era apenas mais um número. E não um profissional com oportunidade para crescer.

Foi à luta novamente. Traçou como meta 30 dias para sair da empresa. Dessa vez, os critérios eram outros: liberdade, autonomia e reconhecimento. Dentro da data prevista, já estava mudando de emprego: foi contratado pela VAGAS Tecnologia. Chegou lá via site da empresa. “Pesquisei a média salarial do mercado no Google, me preparei para a entrevista e fui muito bem atendido pelo RH. Era o modelo de gestão que eu queria: autonomia, respeito e reconhecimento”, afirma Antony.

Já trabalhou no departamento de Contas a receber e Compras, atualmente comanda o Faturamento. Diz que tem a mesma alegria para ver uma conta inadimplente quitada quanto de emitir uma nota. E aí surge outra característica diferencial que permeia toda a trajetória profissional de Antony, desde o primeiro emprego na clinica da tia. Um imenso prazer em aprender, ser curioso, ir além. “Automotivação constante”, gosta de falar. Tudo isso sempre acompanhado de uma atitude sempre cortês com superiores e colegas, compromisso com suas metas e uma alegria contagiante com a equipe onde atua.

“Sempre vesti a camisa da empresa onde estou. Procuro ser observador, fico atento às dicas”, resume suas qualidades com modéstia. “SBTista” de coração, com uma infância televisiva (o pai militar não deixava brincar na rua), Antony diz com toda serenidade que até hoje assistir uma boa novela ao lado da mãe e das irmãs é um dos seus maiores prazeres. “Aprendi sobre caráter, postura com as novelas quando criança. Éramos Seis, novela de Silvio de Abreu, marcou minha infância, porque também éramos seis na minha família”, conta.

Se a TV perdeu um grande profissional, ainda é cedo para dizer. Porque quando Antony corre atrás de um sonho, ele pode sim tornar-se realidade.

Dicas de carreira de Antony

  • Tenha foco, faça uma projeção: onde estou? Onde quero estar?
  • Crie metas que dependam das suas ações. Por exemplo: que cursos preciso fazer, que conhecimentos preciso adquirir.
  • Saber ouvir e falar é fundamental. Dissemine seu conhecimento. Seja parceiro.
  • O conhecimento está em todo lugar. Seja observador, aprenda tudo o é exposto a você. Filtre o que é bom, elimine o que não acrescenta e aprenda com as situações difíceis.
  • Trabalhar em equipe é essencial. Pode parecer piegas, mas sozinho ninguém chega lá. Seja grato, humilde e corajoso.