Home > Carreiras > Administração > Projeto social de aulas de informática abre portas em comunidade do Rio

Projeto social de aulas de informática abre portas em comunidade do Rio

Por Fefa Costa
Fotos de Facundo Reyna

Projetar o futuro é um momento de reflexão e balanço sobre acontecimentos, conquistas e frustações. Para Wanderson Skrock, 24 anos, analista de projetos sociais de uma ONG, também é o momento de agradecer e deslumbrar-se com seu percurso e aonde chegou até o momento.

Morador da comunidade de Santa Cruz, zona oeste do Rio de Janeiro, Wanderson foi uma criança com poucas oportunidades. O mais velho de seis irmãos e integrante de uma família distante da imagem dos comerciais, acreditava que cursar uma universidade nunca seria algo para ele.

Foi imaginando uma vida melhor que o jovem passou os últimos 10 anos. Até o dia que uma ONG montou um projeto social de aulas de informática em sua comunidade. Este foi o dia em que a vida de Wanderson mudou.

Wanderson Skrock

“Comecei como aluno, tendo aulas de informática. O educador observou que eu tinha certa facilidade em aprender os conteúdos e uma virtude – digamos assim – de saber falar com as pessoas. Eu tinha entre 17 e18 anos, ele começou a me preparar e pude me tornar educador de informática também”, comenta.

Com a capacitação, Wanderson sentiu a necessidade de concluir o ensino médio e pode – pela primeira vez – sonhar com a faculdade. Com ajuda da ONG, concluiu os estudos e ingressou – com bolsa – na universidade de Administração de Empresas.

“Foi difícil me adaptar a realidade de um universitário. Nunca havia imaginado isso para mim. Da minha família, fui o primeiro a entrar em uma faculdade. Isso motivou meus irmãos a estudarem.“

Terceiro setor

Ele, até então, não sabia o que era o primeiro, segundo e terceiro setor de trabalho. Percebeu que estava em uma zona de conforto com seu trabalho de inclusão digital. Começou uma reflexão sobre sua continuar trabalhando em ONGs.

Queria conhecer mais, explorar outras possibilidades. E, como gosta de dizer, ter um plano B. Pesquisou e estudou outros setores, sempre encaixando agenda com suas atividades profissionais e palestras que dava a outros jovens sobre sua história. Com essa experiência, deu-se conta que o principal elemento de motivação para seu trabalho estava lá, onde tudo começou. No contato direto com o desenvolvimento de pessoas.

“Quero me aprofundar nesse lado mais humano. Contribuir e ter retorno financeiro na construção de um mundo melhor. Olhar para o outro sem julgar por aquele momento que ele se encontra. Saber que temos uma historia para estar ali. Nada impede um menino de estar limpando vidro de carro de dia e a noite estar fazendo um curso preparatório.”

Hoje, Wanderson segue seu trabalho na mesma ONG que o capacitou e ofereceu seu primeiro emprego. Viaja o Brasil ensinando outros jovens a darem aulas de informática, empreendedorismo e capacitação profissional em comunidades carentes.

Mesmo com a velocidade das mudanças em sua vida, destaca a paciência como virtude. Para ele, a impaciência da juventude faz com que muitos não se estabilizem no mercado e não ganhem uma noção de carreira.

“A pessoa começa como estagiária e, se dentro de um ano ou dois, ela não chegar a um cargo de analista, sente-se fracassada e quer trocar de empresa, ignorando o tempo que é preciso para você entender o DNA daquela empresa. Queremos ter resultados rapidamente. Não sei se isso é devido à tecnologia. Mas é preciso ter calma.“

Se perguntar se ele é feliz, a resposta vem acompanhada de um sorriso de menino que está descobrindo o mundo.

“Nunca imaginei chegar aonde cheguei. Hoje me sinto realizado. Não acredito em uma coisa feliz. Acredito em momentos felizes. Fico pensando no próximo ano, fazendo um balanço do que passei para chegar aqui, que tenho apenas 24 anos e ainda terei muitas surpresas. Mais do que feliz, me sinto preparado para o que der e vier“, finaliza.

Dicas de Wanderson Skrock

  • A pessoa tem que ter respeito pela outra. Saber que existem diferenças e que não sabemos tudo. E aquilo que não sabemos o outro pode nos ensinar;
  • Quando a oportunidade chegar, não pode ter medo de assumir responsabilidades;
  • Ter paciência unida ao foco. Aguardar, para não se perder.