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Gerente de cidade: sabia que isso é uma profissão?

por Marcus Lopes
fotos por Ailton de Oliveira

Tratar o cidadão como cliente e buscar o máximo de eficiência na administração da sua cidade ou do seu estado. Em um país onde a burocracia e a lentidão da máquina pública são queixas constantes da população e emperram o desenvolvimento social e econômico, um novo profissional, ainda pouco conhecido, começa a ganhar espaço no mercado de trabalho: o gerente de cidade. O curso, oferecido como pós-graduação lactu sensu pela Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), busca oferecer ao mercado um profissional diferenciado para atuar no serviço público, em especial o municipal, descolado da questão política.

“Nosso grande objetivo é colaborar, o máximo possível, para a profissionalização da administração pública”, explica o coordenador do Curso de Gerente de Cidade da Faap, Mario Pascarelli Filho, destacando que não se trata de um curso para prefeitos ou políticos, e sim, para a formação gerencial de administradores públicos.

Segundo ele, a grande diferença de um curso de administração pública comum é que, além de possuir uma grade curricular mais extensa, com disciplinas como Qualidade Total na Administração Pública, o objetivo é formar gerentes técnicos com uma visão geral da máquina administrativa. Tanto é que é voltado em especial para quem já atua ou quer trabalhar na gestão pública.

Criado pela Faap em 1996, o modelo do curso foi inspirado nos Estados Unidos e no Canadá, onde o gerente de cidade é um profissional que existe desde meados do século 20 e diversos cursos de formação gerencial são oferecidos nas universidades canadenses e norte-americanas. “Nesses países da América do Norte, em muitas localidades quem toca o dia-a-dia da administração não é o prefeito, mas um profissional contratado chamado gerente de cidade”, explica Pascarelli. Segundo ele, no Brasil, cerca de 20 prefeitos eleitos possuem formação em gerência de cidades, como os chefes do Executivo de Jaú (SP), São Manuel (SP)e Mogi das Cruzes (SP).

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No total, são 414 horas de aula, divididas em 46 disciplinas diretamente ligadas à gestão municipal, como: Plano Diretor, Marketing Público, Finanças, Direito, Comunicação, Orçamento Municipal e gestão das mais diversas áreas da administração, como saúde, educação, meio ambiente e cultura. Os alunos também têm aulas complementares de temas relacionados ao dia-a-dia do administrador. “Um assunto muito importante hoje em dia é a questão da mobilidade, em especial nas grandes cidades, e a gestão de recursos hídricos”, cita Pascarelli.

Hoje em dia, o País já possui mais de cinco mil gerentes de cidades, espalhados por todo o Brasil, principalmente nos pequenos e médios municípios. Parte deles ocupa cargos de destaque na administração municipal. Um exemplo é o secretário de Governo e Relações Institucionais da prefeitura de Taubaté, no interior de São Paulo, Eduardo Cursino.

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Segundo ele, a formação gerencial é essencial para lidar com a burocracia do dia-a-dia da administração municipal. “A formação gerencial profissionalizada é importante para que os trabalhos sejam realizados através de métodos lógicos e não através de tentativas e erros, o que, infelizmente, é muito comum no setor público”, diz Cursino.

Atualmente, o curso conta com 320 alunos divididos em turmas na Capital e unidades da Faap no interior de São Paulo. “Esse curso deveria ser ministrado para todos os servidores municipais do País, pois os faria ter uma visão macro sobre administração municipal, fazendo-os compreender que cada um é parte importante de uma imensa engrenagem”, diz o bacharel em Direito e atual aluno do curso, Rodolpho Barbosa.

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Segundo ele, é importante que os administradores públicos se dediquem à profissionalização. “As pessoas não moram no Estado ou no País, elas moram no município. Portanto, a administração é municipal e deve ser planejada cuidadosamente, estudada e disposta de profissionais preparados para desenvolver, implantar e atuar nas políticas públicas que mexem cotidianamente na vida das pessoas”, diz Barbosa.

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O cientista social Daniel Teixeira de Lima, que também está prestes a se tornar um gerente de cidade, tem opinião semelhante. “A melhoria da gestão leva-nos a encarar o cidadão também como um cliente, provido de seus direitos e deveres, mas que necessita ter seus anseios sociais atendidos pela máquina pública, ou propiciado por ela”, diz Lima. “Somente com a profissionalização dos quadros da administração pública brasileira é que alcançaremos um padrão de qualidade adequado ao que se é arrecadado.

A gestão será mais eficaz, efetiva e eficiente, portanto, o cidadão será melhor atendido”, completa Lima (na foto à direita),  assessor técnico na Secretaria Estadual do Meio Ambiente de São Paulo.

O psicólogo Valter Fontes (foto abaixo) atua no setor público há 19 anos, trabalhando nas prefeituras de São Paulo e Guarulhos, na Grande São Paulo, e sempre achou importante a melhoria na sua qualificação profissional. Por isso, resolveu estudar para tornar-se um gerente de cidade. “Apesar da má fama tão difundida, considero que o servidor público necessita de maior atenção para que possa oferecer os seus serviços de forma mais eficaz e a contento”, diz Fontes, que está no terceiro módulo de uma das turmas da Faap.

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“A formação em gestão pública é fundamental para um melhor planejamento e execução das políticas públicas. Sabemos que existem milhões em verbas centralizadas que deixam de ser executadas em razão da precariedade de projetos”, diz Fontes. “Na administração pública assistimos a carência de profissionais capacitados profissionalmente para o melhor desempenho. Precisamos qualificar e otimizar a oferta de serviços do Estado”, conclui, sobre a importância de, em breve, tornar-se um gerente de cidade.