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Segurança no trabalho: Brasil avança, mas não é desenvolvido

Construção civil é um dos setores com acidentes mais graves

por Heloisa Valente

O Brasil registra cerca de 700 mil acidentes de trabalho por ano, segundo dados do Ministério da Previdência Social. E o alto índice pode ser ainda maior, já que o órgão do Governo Federal compila somente registros oficiais, ou seja, aqueles notificados e que tenham atingido trabalhadores inseridos na CLT.

Mas, de acordo com Jeferson Seidler, chefe do Serviço de Planejamento e Acompanhamento de Projetos da Secretaria de Inspeção do Trabalho, o País vem diminuindo a incidência mesmo que lentamente. Para se ter uma ideia, o número de óbitos como consequência desses acidentes caiu de 3.793 mil para 2.797 mil em 15 anos, entre 1998 e 2013, conforme apontam os últimos dados da previdência.

Para Seidler, “além das campanhas de prevenção e segurança no trabalho, a modernização dos meios de produção e a alteração no perfil das atividades econômicas, com aumento da proporção de trabalhadores em atividades de menor risco são alguns aspectos que contribuem para a redução”.

Essa taxa de mortalidade representa 6,53 por 100 mil trabalhadores, enquanto que nos Estados Unidos essa proporção é de 3,2. Ele observa que esta comparação mostra que, ainda que os acidentes sejam subnotificados por aqui, temos uma taxa de mortalidade bastante elevada em comparação com um país mais desenvolvido.

“No Brasil, o transporte rodoviário e a construção civil são alguns dos setores onde ocorrem os acidentes mais graves e fatais. Também a mineração e a indústria estão no topo da lista. Os mais comuns e fatais são choque elétrico, quedas e aprisionamento em máquinas e os causados em veículos motorizados”, destaca.

Prevenção
Seidler diz que a forma principal de investimento na prevenção não se dá através de campanhas, mas sim de um trabalho contínuo que une Governo Federal, Governos Estaduais e Municipais, universidade e organizações do sistema S (Sesc, Sesi, Senai), além das próprias empresas.

A prevenção, segundo ele, ainda não aparece como parte natural da cultura das pessoas e isso se reflete no trabalho. “Tanto empregadores quanto empregados ainda não sedimentaram essa cultura no dia a dia. Não é possível identificar, na grande maioria dos locais, segurança e saúde do trabalho como prioridade ou como valor intrínseco às atividades produtivas”, diz.

Ele comenta que na construção civil, por exemplo, isso é fácil de ver: “se você passear por qualquer cidade brasileira com uma máquina fotográfica na mão, facilmente registrará muitas situações óbvias de risco desnecessário, como andaimes improvisados, trabalhadores sem equipamentos adequados, equipamentos elétricos sem instalações corretas, e assim por diante. Isso se repete em praticamente todos os setores econômicos”, observa.

Sendler destaca, no entanto, que além das campanhas preventivas, é preciso que a segurança e a saúde no trabalho se tornem parte natural da nossa cultura. “A intenção é conseguir a inclusão de temas de segurança no trabalho em todas as escolas e níveis de ensino”, conclui.

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), órgão do qual pertence a secretaria chefiada por Sendler, mantêm a Estratégia Nacional para Prevenção de Acidentes e Doenças do Trabalho e a Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho, que tem como tema “Você é sua principal ferramenta de trabalho”.