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Região de Campinas: o Vale do Silício brasileiro

Tecnologia de ponta desenvolvida no 'Vale' é abrangente a vários setores

por Heloisa Valente

Conhecida como o Vale do Silício brasileiro, a região de Campinas – no interior de São Paulo – segue fortalecida como polo empreendedor de conhecimento e tecnologia. O local recebe o apelido por concentrar empresas do segmento tecnológico, assim como o verdadeiro Vale do Silício, na Califórnia (EUA). Por aqui, a região é composta por 19 cidades que respondem por 2,7% do PIB nacional e abrigam empresas como IBM, Dell, Lenovo e HP, só para citar algumas.

Somente Campinas tem mais de 12 centros de pesquisa e desenvolvimento como o Ciatec (Companhia de Desenvolvimento do Polo de Alta Tecnologia de Campinas), o CPqD (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações), o Parque Científico e Tecnológico da Unicamp e o Techno Park, além de duas grande universidades: Unicamp e PUCCamp.

José Luiz Guazzelli, diretor do Techno Park, empreendimento que reúne 66 empresas, sendo 43 do setor de tecnologia, diz que a região continua a ser um polo de conhecimento e inovação e a atrair investimentos. “Esse processo começou nos anos 1940, quando a Rhodia implantou sua indústria. Seguiu com as chegadas da Replan (refinaria da Petrobras), Bosch, GE, Embrapa, Instituto Agronômico de Campinas, as universidades e os centros tecnológicos”, relembra.

Ele diz que apesar do momento desfavorável da economia brasileira, a região segue fortalecida e atrativa a novas companhias. “Pontos favoráveis são os incentivos governamentais concedidos às empresas para instalar seus parques industriais e de pesquisas, além de oportunidade de estar ao lado de mão de obra qualificada formada nas universidades e nos centros técnicos”, ressalta.

Inovação
A tecnologia de ponta desenvolvida no “Vale do Silício brasileiro” é abrangente a vários setores da economia, entre os quais, telecomunicações, informática, laboratórios médicos, energia renováveis e biotecnologia. Apenas nas empresas que compõem o Techno Park trabalham mais de cinco mil pessoas e quase 1,3 mil pesquisadores.

“Assim como em todo o País, falta mão de obra especializada, mas na região, o polo de conhecimento acaba favorecendo os dois lados: atraímos e exportamos qualificação”, diz o diretor que também é cônsul honorário da França, em Campinas. Ele afirma que o fato de estar ao lado de grandes universidades e centros de pesquisas fortalece esse aprimoramento.

“Docentes e alunos pesquisadores da Unicamp, por exemplo, constantemente vão a outros países buscar e levar conhecimento de suas inovações. Nesse aspecto, observamos que a França é um grande destino. Perto de 30% deles escolhem o país para esse intercâmbio”, conta Guazzelli.

E a inovação na região não é restrita à pesquisa ou desenvolvimento de produtos. Entra nesse quesito, também, a concepção urbanística e arquitetônica desses centros tecnológicos que abrigam as organizações. Vários deles seguem um modelo de prédios multiuso (espaços construídos e prontos para locação), onde funcionam data centers, laboratórios e unidades de pesquisa, com serviços de segurança, manutenção, estrutura de restaurantes e telecomunicações compartilhados entre as várias empresas instaladas no complexo.