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Educação corporativa precisa ser valorizada no Brasil

por Fernanda Bottoni

A Associação Brasileira de Educação Corporativa (AEC) estima que o Brasil tenha fechado 2013 com aproximadamente 300 universidades corporativas. Se, para você, esse número isolado não quer dizer nada, pense que o Brasil tem cerca de 2 milhões de empresas de médio e grande portes – cada uma com cerca de 100 ou mais funcionários. Não é preciso fazer muitas contas para perceber que a educação corporativa é mesmo uma raridade por aqui.

Quem chama a atenção para esse fato é o pedagogo Marcus Garcia, integrante do Grupo de Estudos em Inovação Tecnológica da UFPR, especialista em Gestão do Conhecimento e mestre em Ciência, Gestão e Tecnologia da Informação. “Essas iniciativas no Brasil ainda são pífias e inócuas”, lamenta ele.

O que você ganharia com isso
A preocupação de Marcus faz todo sentido. No Brasil, até hoje, pouca gente entende o que de fato é a educação corporativa e por que ela deveria ser mais valorizada.

“De forma simplificada, podemos dizer que ela é uma forma de as empresas qualificarem a sua mão de obra para atuar no seu próprio negócio”, diz ele. Mas, por favor, não vá tirando conclusões precipitadas, achando que esse benefício é interessante apenas para as corporações.

Sabe por quê? “Quem, por exemplo, entra como trainee numa empresa que oferece esse benefício pode aproveitá-lo para potencializar tudo o que trouxe da universidade”, exemplifica Marcus.

Claro que, quando falamos de educação corporativa, os cursos são orientados para as necessidades daquela determinada empresa, mas quem se formou há pouco tempo e percebeu que chegou ao mercado de trabalho com uma deficiência na formação só tem a ganhar – e ainda deve levar esse conhecimento para onde quer que vá depois do programa.

O que as empresas ganham com isso
A maior parte dos profissionais não entende o que é a educação corporativa e, como se não bastasse, as empresas também não ficam atrás. Segundo Marcus, infelizmente, a cultura empresarial brasileira ainda é arcaica nesse quesito.

“Tirando as multinacionais, que são, em sua maioria, sociedades anônimas totalmente profissionalizadas, as demais empresas são efetivamente familiares e têm uma visão retrógrada da administração e do desenvolvimento corporativo.”

Ele explica que empresas com essa (falta de) visão normalmente entendem que oferecer educação corporativa aos funcionários é como fazer um favor à sociedade. “Elas não enxergam de forma alguma como esse benefício pode fazer a diferença entre sucesso e fracasso nos negócios.”

Diferenças essenciais
Além disso, Marcus ressalta que muita gente confunde educação corporativa com treinamento de vendas ou cursos de idiomas, por exemplo. “Muitos empresários pensam nela como um treinamento pontual de funcionários para que eles consigam cumprir com qualidade funções específicas, mas uma coisa não tem nada a ver com a outra”, esclarece.

“Mesmo em universidades corporativas, o mercado brasileiro demonstra estar mais concentrado em treinamento e desenvolvimento do que em educação corporativa de fato.”

Sim, há diferenças. “O treinamento é pontual, específico e direcionado para cobrir uma lacuna de conhecimento técnico”, explica. Já a educação corporativa, ele esclarece, é muito mais abrangente e deve estar alinhada à estratégia da empresa, à sua missão, à sua visão e aos seus valores.

“É a partir daí que ela lança estratégias de aprendizado para formar pessoas para atuar naquele contexto”, diz.

Além disso, ela é particular a cada cultura organizacional e deve ser conduzida de forma permanente, abrangente, centrada na realidade da empresa e nas suas demandas produtivas, devendo permear todos os níveis, da presidência até as posições mais operacionais.

Exemplo real
Como exemplo, Marcus cita uma empresa de Joinville que oferece educação corporativa para todos, do estoquista ao gerente de loja.

“Isso ocorre há doze anos e a empresa vem colhendo bons frutos, como redução do turnover e adequação das pessoas às suas funções,” diz ele. “Elas lá fazem o que gostam e isso melhora a cultura organizacional e o senso de pertencimento dos profissionais.”

Segundo Marcus, isso ocorre porque uma empresa que tem um sistema de educação corporativa estratégica e bem gerenciado tem instrumentos para conhecer os funcionários e pode ser muito mais assertiva em relação às condições de trabalho ou mesmo ao foco de trabalho que eles estão buscando.

Como consequência, claro, ela tem funcionários mais motivados e realizados em suas funções. Faz sentido, não?!