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Pós-graduação em outra área pode impulsionar sua carreira

por Marcus Lopes
fotos por Rogério Montenegro/arquivo pessoal

Ao cursar uma pós-graduação, geralmente o aluno pretende se especializar dentro de sua área profissional. Muitas pessoas, porém, vão além e optam por cursos sem qualquer ligação com a sua área de origem, como um engenheiro que faz pós em biologia ou o advogado que resolve complementar seus estudos em letras.

Ao diversificar o currículo em outros segmentos, o profissional pode encontrar boas oportunidades para construir uma carreira que se destaque, agregando conhecimentos para aplicar na sua área, ou simplesmente partir para outra profissão. Para os especialistas, essa situação é mais comum do que se pensa.

“Isso acontece porque somos levados a escolher a nossa profissão ainda cedo e, muitas vezes, acabamos por fazer escolhas que depois serão mudadas ou readaptadas. Nesse momento, o profissional pode sentir falta de um curso diferente para completar seus conhecimentos e ter melhores resultados naquilo que efetivamente está atuando”, explica Elaine Saad, vice-presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-Nacional).

Segundo ela, a complementação do currículo em outra área pode ajudar na hora de procurar uma vaga para um novo emprego. “Qualquer estudo extra sempre será valorizado, principalmente se vier ligado a uma estratégia que faça sentido para a carreira da pessoa. A construção de uma carreira bem sedimentada e consistente demonstra um profissional que cuida do seu auto-desenvolvimento”, diz Elaine.

É o caso de Fabiana Fevorini, pesquisadora da Fundação Instituto de Administração (FIA), da Universidade de São Paulo. Formada em jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), trabalhou em diversas redações até ingressar em uma pós-graduação em administração de marketing, em 2003. “Estava insatisfeita e não via muitas perspectivas de carreira na área de redação. Com a pós, passei a enxergar outras possibilidades profissionais”, diz Fabiana, que foi trabalhar com a família em um negócio na área de concursos públicos.

“Daí veio a ideia do mestrado em administração”, diz Fabiana. O negócio familiar acabou não dando certo, mas ela já tinha se interessado pela área e começou a dar aulas em 2010. Hoje, coordena uma equipe de pesquisa da FIA e o que era para ser apenas uma especialização virou uma nova carreira. “Me sinto uma pessoa com um pensamento mais livre. Não fiquei presa ao paradigma de um determinado setor e dialogo com várias áreas de conhecimento”, diz Fabiana.

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Mesmo assim, ela aponta algumas dificuldades enfrentadas por aqueles que decidiram abrir o leque em sua formação acadêmica. “Sempre que passo por um processo seletivo, percebo que minha mudança causa estranhamento. Então sinto que tenho de ‘explicar’ sobre minha decisão”, revela. Por isso, explica Fabiana, ter formações distintas pode ajudar e atrapalhar a pessoa. “Ajudou pessoalmente. Eu me sinto uma pessoa mais rica intelectualmente por ter transitado por várias áreas. Mas também atrapalha por conta da desconfiança que gera”, completa a jornalista/administradora.

Com mais de 15 anos de experiência em empresas nacionais e multinacionais, o publicitário Daniel Menin resolveu aliar uma bem sucedida carreira de marketing com a questão da sustentabilidade, mas sem abrir mão da carreira de origem. Por isso, após concluir uma especialização em marketing, está fazendo um MBA em gestão ambiental na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP).  Dessa maneira, ele procura trabalhar o marketing tendo sempre em vista a sustentabilidade do planeta.

“Não vejo outro caminho senão mudar a maneira como criamos as estratégias de marketing e de crescimento econômico baseados no consumo. Influenciar empresas e sociedade a repensar seus valores para que as próximas gerações tenham acesso aos mesmos recursos que nós tivemos é papel do profissional de marketing”, diz Menin.

“Conhecer as ciências que permeiam a gestão do meio ambiente me deu uma visão muito mais ampla, profunda e realista do estado do mundo em que vivemos”, comenta o profissional, que buscou na vida pessoal a inspiração para estudar o meio ambiente. “Sempre estive envolvido com questões e valores ambientais. Há quase vinte anos sou também espeleólogo, realizando um trabalho voluntário de exploração, documentação e preservação de cavernas.”

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A jornalista Renata Campos Salles também buscou na vida pessoal a inspiração para tornar-se professora de espanhol. Descendente de espanhóis, após fazer graduação em jornalismo na FIAM e atuar por pouco tempo na área, ingressou na pós-graduação em Ensino de Espanhol para Brasileiros na PUC-SP.

“Decidi apostar na minha carreira de professora, pois não estava conseguindo trabalhos como jornalista. Acabei gostando dessa nova profissão e hoje sou muito mais feliz”, afirma. Mesmo assim, a formação em jornalismo não foi em vão. “Na hora de corrigir redações a formação como jornalista ajuda. Outra grande vantagem é a desenvoltura para falar em público e a criatividade”, completa a professora, que aponta as vantagens do novo caminho, inclusive financeiros. “Me sinto muito mais realizada, valorizada e segura. E os rendimentos também melhoraram muito.”

A valorização pessoal citada pela professora de espanhol é um ponto destacado pelo consultor Carlos Hilsdorf. “Tenha sempre em mente seu projeto de vida. O que move, você, de fato? Una talento e vocação. Talento é jeito, vocação é vontade”, diz Hilsdorf.

Os especialistas alertam para a necessidade de uma boa reflexão na hora de escolher o tema da pós-graduação, em especial caso seja em uma área diferente. “É necessário verificar o quanto isso será útil para sua atividade atual. Pode ser que a pessoa esteja escolhendo algo por hobby. Também pode ser uma escolha, mas o importante é que fique claro para ela a relação custo x benefício daquele investimento de recursos financeiros, tempo e dedicação”, explica Elaine Saad, da ABRH.