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Pnad 2012: desemprego caiu e renda aumentou!

Desemprego vem caindo há mais de uma década e rendimentos têm taxas maiores que a produto interno bruto. Estas são algumas das constatações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no último dia 27. O levantamento é um recorte do Brasil no ano passado – foram visitados 147 mil domicílios e entrevistadas 363 mil pessoas.

Desemprego

Mesmo com a economia ruim de 2012 — o produto interno bruto (PIB) foi de 0,9% –, o mercado de trabalho brasileiro gerou 1,4 milhão de postos de trabalho naquele ano, entre formais e informais. A taxa de desemprego caiu: de 6,7% em 2011 para 6,1% em 2012. Este é o menor valor registrado desde 2001.

Ao observar os resultados por faixa etária, é possível encontrar um padrão: quanto maior a faixa de idade, menor o desemprego. Entre os jovens de 15 a 17 anos, o desemprego tem taxa de 21%; entre os trabalhadores de 18 a 24, 13,2%; de 25 a 49 anos, 4,8%; acima de 50 anos, 2,2%.

  • Entre 15 e 17 anos: 21%
  • Entre 18 e 24 anos: 13,2%
  • Entre 25 e 49 anos: 4,8%
  • 50 anos ou mais: 2,2%

O IBGE acredita que este fenômeno se deve ao fato de que trabalhadores mais jovens buscam trabalho com mais frequência e, consequentemente, encontram mais portas fechadas. Já os trabalhadores mais idosos buscam menos emprego, o que os torna menos suscetíveis ao índice, pois a taxa de desemprego inclui apenas pessoas que procuram emprego e não conseguem.

Rendimento

O rendimento médio mensal do trabalhador teve um ganho real de 5,8% em relação ao ano anterior e chegou a R$ 1.507 em 2012 ante R$ 1.425 de 2011. O Centro-Oeste registrou o maior rendimento médio – R$ 1.803 –, enquanto o Nordeste manteve o pior valor – R$ 1.044. Em termos percentuais, contudo, o Nordeste foi a região com maior aumento em relação a 2011 – 8,1%.

Entre as categorias de emprego, destacam-se os ganhos do trabalho doméstico com carteira assinada (10,8%) e sem carteira (8,4%). Os percentuais são animadores mas, na prática, a categoria ainda recebe os piores rendimentos – R$ 811 para os com carteira e R$ 491 para os sem carteira.

A mulher no mercado

Outro ponto que merece atenção na Pnad é a elevação no ganho das mulheres que, em comparação ao ganho dos homens, foi menor. Em 2012, elas tiveram aumento no rendimento de 5,1% em relação a 2011; os homens, 6,3%. Com isso, o rendimento médio do trabalho da mulher chegou a R$ 1.238 em 2012, ou seja, 72,9% do obtido pelos homens, R$ 1.698 – em 2011, o rendimento delas representava 73,7% do valor recebido por eles.

Sobre esta constatação, a coordenadora da pesquisa, Maria Lúcia Vieira, afirmou à Agência Brasil:

“É preciso tomar um certo cuidado, porque nessa média a gente não está levando em consideração a função que ela exerce, a carga horária em que ela trabalha. O trabalho doméstico, por exemplo, tem normalmente rendimentos menores e é feito, em 98% dos casos, por mulheres. Já em algumas ocupações e cargos de chefia, os homens são maioria. É preciso tomar cuidado para não dizer que é simplesmente discriminação pelo sexo.”

Rendimento dos mais pobres

É acirrada a desigualdade no âmbito do sexo. Por outro lado, na esfera social, o cenário é mais ameno.

A desigualdade de renda registrou queda em 2012, ano em que o desempenho da economia foi fraco. O PIB não chegou a 1%, mas a renda per capita das famílias cresceu 7,9%. O destaque é a evolução dos ganhos das famílias mais carentes: os 10% mais pobres do Brasil tiveram aumento de 14% em seus rendimentos, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em estudo baseado nos dados da Pnad.

À Agência Brasil, o presidente do Ipea, Marcelo Neri, comenta o resultado:

“Três milhões e meio de pessoas saíram da pobreza em 2012 e 1 milhão da extrema pobreza, em um ano em que o PIB cresceu pouco. Para a pobreza, o fundamental é o que acontece na base – cuja renda cresceu a ritmo chinês. O bolo aumentou com mais fermento para os mais pobres, especialmente para os mais pobres dos pobres.”

A íntegra da Pnad pode ser acessada aqui.