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Plantonistas contam como curtem o final de ano

Por Fefa Costa
Fotos de Facundo Reyna

Enquanto você está cortando aquela coxa do peru, seu primo estoura a champagen ou no réveillon, dá sete pulinhos nas ondas, milhares de profissionais continuam trabalhando. São funções que não podem ser interrompidas, ou, em muitos casos, tornam-se ainda mais imprescindíveis nesses dias do ano. Médicos, enfermeiros, policiais, garçons, músicos, seguranças e tantas outras atividades em que o festejo só acontece depois do expediente.

Garçom – É na areia da Praia do Francês, há 28 anos, Marcos Barbosa, 44, comemora seu Natal e Ano Novo. Mas, quem pensou na badalação das festas, está enganado.  Garçom de um agitado restaurante, localizado na orla de Alagoas, Marcos celebra a data, há muitos anos, entre a cozinha e as mesas. “Eu gosto deste movimento de festas. É a hora de fazer aquele extra”, comenta bem humorado.

Marcos Barbosa é garçom

Marcos Barbosa é garçom

Casado e pai de dois filhos, Marcos diz que eles entendem sua ausência na noite que, por tradição, exige a reunião em família. A comemoração tem que esperar um pouco, em sua casa a festa começa tarde e termina cedo. Os amigos, que também trabalham nestes dias, se reúnem com a mesma alegria e fartura como se tivesse sido festa de noite inteira.

Disposto a oferecer seu melhor neste momento, entende a importância do seu “plantão”. “A alegria está em prestar um bom serviço e servir boa comida. Oferecer aquilo que todos procuram no novo ano: a fartura.”

Sem perder o foco e a dedicação ao trabalho, ele aguarda a quarta feira de cinzas, que é o dia escolhido para celebrar, sem hora para terminar. “Agora é hora de fazer o pé de meia do ano todo. Mas, quarta feira de cinzas sou garçom, sou folião e comemoro todas as festas que deixei para depois. Meu ano começa no carnaval”, revela.

Enfermeira – Ivi Lima trabalha no pós-operatório de um grande hospital em São Paulo, de prontidão. Prefere a palavra compromisso para definir seu trabalhado durante as festas.

Enfermeira plantonista, Ivi Lima comemora no Hospital

Enfermeira plantonista, Ivi Lima comemora no Hospital

“Sou útil quando preciso trabalhar. A família já acostumou, aguardam minha chegada para fazermos nossa festa. No hospital, tem um almoço no natal e ano novo. Nos revezamos comer um bolo e provar algo que alguma colega trouxe para saborear.”

Conta que já deixaram um bolo à espera do primeiro corte, para celebrar a virada do ano, quando veio o chamado de uma emergência no pronto atendimento.  Estar disponível para cuidar do próximo está em primeiro lugar. “Mesmo em uma situação adversa, um olhar e dizer feliz natal, feliz ano novo pode acalmar”, explica.

Em dez anos de profissão, Ivi acostumou-se a trabalhar nestas datas. Diz que a rotina nestes dias fica mais leve. Mas conta que nem todo ano é assim. Em hospitais com boas escalas, se você trabalha no plantão de Natal e Réveillon em um ano, no outro você folga.

Segurança – Quem também estará trabalhando no Natal e Ano Novo é a Kelly Domingues, 31 anos.  A segurança patrimonial deve passar a noite de Natal ao lado da decoração de um banco na Avenida Paulista. Acostumada ao ritmo de vigilância e muita seriedade, está encantada fazendo a guarda do Papai Noel e seus ajudantes.

“Passa tanta gente por aqui, consigo olhar para cada um e me emocionar também.”

Kelly Domingues, guardiã do Papai Noel na Paulista

Kelly Domingues, guardiã do Papai Noel na Paulista

Há cinco anos, ela atua na área e garante que essa foi a primeira vez que teve sorte no plantão. “Duro é quando temos que trabalhar na madrugada em lugares sem movimento. Aqui, o movimento é o dia e a noite toda. A Avenida Paulista está linda, parece que as festas de final de ano começam aqui.”