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O Dia de Luta das Pessoas Deficientes

Data celebra a batalha pelo aumento de PCDs no mercado de trabalho

por Guss de Lucca
fotos por Ailton de Oliveira

O dia 21 de setembro marca o Dia Nacional de Luta das Pessoas Deficientes. A data pode comemorar o aumento da participação de pessoas com deficiências (PCD) no mercado de trabalho brasileiro, mas também pode lamentar a quantidade e o grau de dificuldades que esses profissionais ainda enfrentam em busca de desenvolvimento profissional.

Lei de cotas para deficientes

Uma das ferramentas que auxiliam o crescimento dessa participação é a Lei 8213/91, conhecida popularmente como lei de cotas para deficientes, que obriga qualquer empresa com 100 ou mais funcionários a preencher de dois a cinco por cento dos seus cargos com beneficiários reabilitados ou pessoas portadoras de deficiência. No Brasil, é considerada PCD qualquer pessoa que tem impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, que podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdades de condições com as demais pessoas.

No entanto, apesar de ser muito importante, a lei não soluciona as dificuldades encontradas pelas PCDs na busca por seu espaço no mercado de trabalho. “Estamos numa época em que a fiscalização do cumprimento da lei de cotas está maior e as empresas estão buscando preencher as vagas, muitas vezes sem êxito”, afirma o advogado Leonardo Miguel, que é consultor e palestrante sobre temas voltados a inclusão social de PCDs através do mercado de trabalho. “Há muitas pessoas com deficiência disponíveis no mercado, mas os empregadores têm dificuldade de encontrá-las”, explica.

Fisioterapeuta Paula Ferrari da AACD São Paulo em seu trabalho

História inspiradora

Uma dessas pessoas é a c, que se tornou PCD quando sofreu complicações causadas pela anestesia tomada durante uma cirurgia, em 2012. Ela passou a fazer uso de cadeira de rodas, mas nem por isso deixou o trabalho que exercia na AACD desde 2008. Durante o tempo em que ficou afastada, no entanto, conheceu na pele as dificuldades enfrentadas por pessoas na sua situação. “Descobri que quando damos entrada no auxílio-doença pelo INSS, a empresa perde a autonomia sobre o destino do funcionário”, conta. “Quem decide é o perito”, revela.

Paula foi informada em uma sexta-feira de que voltaria ao trabalho na próxima segunda. Tanto ela quanto a empresa tiveram de se adaptar à nova realidade. “A minha atividade exige muito do físico, por isso acabei mudando o perfil de pacientes”, explica. “Antes meu foco eram os adolescentes e agora trabalho com reabilitação respiratória e também exerço funções administrativas.”

Fisioterapeuta Paula Ferrari da AACD São Paulo

Além das atividades como fisioterapeuta, Paula participa de grupos de danças e teatro voltados para cadeirantes e integra o casting de uma agência especializada de modelos com deficiências.

Para ela, o trabalho é a melhor forma de inclusão social que existe para a pessoa com deficiência e as empresas precisam entender que essas pessoas são tão capazes quanto aquelas que não possuem deficiências. “Vencido o preconceito fica muito mais fácil resolver questões de acessibilidade e outras adaptações”, conclui.

 

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