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Namoro na TV, ops, no emprego. E agora?

Empresas colocam limites, mas não podem proibir a relação de existir

por Guss de Lucca
fotos por Ailton de Oliveira

Quantas e quantas histórias de amor não tiveram seu início dentro de uma empresa? De repente, naquele dia que parecia igual a tantos outros, uma troca de olhares seguida de sorrisos e bochechas coradas determina o começo de um namoro. A questão é: qual postura o empregador deve e pode tomar nesses casos?

De acordo com a advogada Adriana Stoco, da Zípora Advogados, a empresa não pode proibir o relacionamento entre empregados fora do ambiente de trabalho – se descumprir essa regra, estará ofendendo um direito previsto na lei.

“Quando o empregador proíbe o namoro entre funcionários ele viola o artigo 5º, inciso 10, da Constituição Federal, que garante que a intimidade e a vida privada de qualquer pessoa são invioláveis. Muitas empresas têm regimentos internos, que estabelecem alguns limites, mas não podem proibir a relação de existir”, explica.

Transferência de setor
“O que ocorre muito, na prática, é um dos dois acabar transferido de setor – isso é permitido. A empresa pode impor limites para que as pessoas não deixem o trabalho de lado para namorar, por exemplo.”

Mesmo considerando natural que relacionamentos afetivos aconteçam no ambiente de trabalho, o Itaú Unibanco toma cuidado para que essas mudanças não possam afetar negativamente a empresa. “O namoro é permitido entre colaboradores do banco, mas é preciso administrar corretamente para que a relação não resulte em conflitos de interesses como, por exemplo, casos de parcialidade e favoritismo, e até mesmo prejudicar o clima no ambiente de trabalho”, explica Sergio Fajerman, diretor da área de pessoas.

De acordo com o diretor, as situações que caracterizam potenciais conflitos de interesses são aquelas em que a atividade profissional de um colaborador influencia a do outro – por exemplo, um solicita algo e o outro aprova, um realiza o trabalho e o outro controla etc – ou que exista uma relação hierárquica entre ambos, influenciando promoções, méritos e avaliações de performance.

Para que os funcionários entendam a postura da empresa, o Itaú Unibanco distribui a todos uma versão impressa de seu Código de Ética, além de permitir que qualquer pessoa com dúvidas faça consultas online. Dessa forma, diz Sergio, “essas situações são transparentemente esclarecidas”.

Quando a relação fica sériagerente de novos produtos Daniela Barbosa Campos
Quem viveu essa situação na pele foi a gerente de novos produtos Daniela Barbosa Campos (ao lado). O namoro com o marido, Fábio, começou dentro de uma empresa do setor farmacêutico. “Sabíamos que não era algo comum, mas não tínhamos certeza se era proibido. Quando vimos que a relação ia ficar séria, decidimos contar para a empresa. Eu conversei com a minha gerente e ele falou com o coordenador dele”, explica ela. O fato era tão novo que até os chefes não sabiam o que fazer e foram se informar. Como ambos tinham gerentes diferentes não houve problema. “Já que as nossas funções não interferiam uma na outra e não havia situação direta de insubordinação seguimos com o namoro e casamos um ano depois”. Hoje em empresas diferentes, Daniela e Fábio já somam oito anos juntos e dois filhos.