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Introvertidos, é hora de mostrar seus poderes!

Por Lívia Freitas

Bons líderes, observadores e criativos. Mesmo com essas qualidades, durante muito tempo ser introvertido foi visto como defeito e as pessoas com essa personalidade se viam pressionadas a mudar seu jeito (ou pelo menos tentar) para se enquadrar no padrão que a sociedade esperava.

Ser extrovertido virou sinônimo de sucesso – pessoal e profissional. Mas para a sorte dos quietinhos, o mundo voltou a olhar para esse perfil, valorizando suas habilidades.

Força silenciosa

Uma costureira de 42 anos mudou o destino das leis racistas em primeiro de dezembro de 1955, no estado do Alabama, Estados Unidos. Cansada do preconceito vivido pelos negros na época, ela se recusou em ceder seu lugar para um branco no ônibus e foi presa.

Sua coragem marcou o início de uma transformação social. Ela se tornou um dos principais nomes do movimento pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos. Ao ler a história de Rosa Parks, é comum associarmos um ato de tamanho perigo a uma pessoa imponente, com personalidade ousada.

Mas quando morreu, em 2005, os obituários a descreviam como uma senhora de fala mansa, doce, tímida e reservada. Sua autobiografia recebeu o nome de Quiet Strenght (“Força Silenciosa”, em português) e ela entrou na lista dos introvertidos mais conhecidos do mundo.

Além de Rosa, importantes nomes que marcaram a história também eram pessoas reservadas. Sem eles não teríamos, por exemplo, a teoria da gravidade de Isaac Newton, a teoria da relatividade de Albert Einstein ou então as composições românticas de Frédéric Chopin.

Introvertidos de sucesso

A volta por cima

Quem prefere ler um livro a uma festa agitada certamente já ouviu, em algum momento da sua vida, algo como “saia da toca” ou “você é antissocial” e ainda “você precisa se soltar mais”.

Mas afinal, por que acreditamos durante tanto tempo que ser extrovertido é melhor? Susan Cain, autora do livro O Poder dos Quietos, explica que tudo começou no século XX, quando as pessoas mudaram do campo rumo às cidades.

Os comerciantes deixaram de vender apenas para pessoas que conheciam desde a infância, em um mundo cada vez mais anônimo nos negócios e na vida social. “Os vendedores que pudessem vender não apenas a última engenhoca da empresa, mas também a si mesmos”, tinham vantagem por falar com segurança, possuir o dom da palavra e serem encantadores.

Se olharmos para nosso país e seus famosos eventos sociais (como o Carnaval), temos mais um ponto a favor dos extrovertidos. O que explica a preferência cultural por esse perfil, tornando-os sinônimos de pessoas divertidas, alegres e bem-sucedidas.

Mas para a sorte dos introvertidos, o mundo (inclusive o mundo das empresas) está percebendo como cada perfil tem suas qualidades e como essa diversidade é produtiva. Susan diz em seu livro:

“Sem os dois estilos de personalidade, assim como sem outros pares complementares — masculinidade e feminilidade, Ocidente e Oriente, liberais e conservadores —, a humanidade seria irreconhecível e imensamente diminuída.”

Então, com a desmistificação de que ser introvertido não é pior ou melhor do que ser extrovertido e que não há nada de errado com esse perfil, chegou a hora dos quietinhos mostrarem seus poderes e como suas características podem ser benéficas para diferentes negócios.

Maria Clara Whitaker, head de RH da Grundfos Brasil, fundadora do site Vitamina.net.br e uma introvertida declarada, comenta:

“Introvertidos são observadores, sabem escutar, absorvem o mundo para depois agir sobre ele e são cautelosos. Normalmente, quando falam em uma reunião, as pessoas param para escutar o que tem a dizer.”

Maria Clara: "É preciso respeitar os dois perfis"

Maria Clara: “É preciso respeitar os dois perfis”

Qualidades que podem ser importantes para certas áreas. “O vendedor que sabe ouvir o que seu cliente tem a dizer vai conseguir entender o real problema e buscar uma solução sem dúvidas com maior facilidade”, complementa Clara.

Um estudo feito por pesquisadores de Harvard mostrou ainda que introvertidos são bons líderes (ao contrário do que pensavam). O motivo é que a personalidade mais calma e menos falante abre espaço para que os funcionários se sintam à vontade para expor suas ideias.

Além disso, os quietinhos marcam ponto no quesito alta criatividade, já que, mergulhados em seu mundo interior, se empenham na busca por soluções. São observadores perspicazes que conseguem mais facilmente detectar onde está o problema e de quebra são bons ouvintes.

Para as empresas aproveitarem ao máximo as qualidades dos introvertidos, Maria Clara recomenda:

“É importante entender que os dois perfis funcionam de forma diferente. Sendo assim, a dica é parar de querer fazer todo trabalho em grupo e oferecer apenas espaços abertos, obrigando o contato constante – introvertidos precisam de concentração e silêncio para seu processo criativo e produtividade.”

Vale lembrar que nem sempre um introvertido é tímido, já que a timidez pode chegar a ser uma fobia social, o medo da reprovação dos outros, evitando assim o contato com pessoas. E ainda, não existe um introvertido ou extrovertido puro: você provavelmente se identifica com características de ambas as dimensões, mas perceberá que há a prevalência de uma sobre a outra.

Como citado nos parágrafos acima, o importante é que as duas personalidades devem ser complementares. Enriquecendo a sociedade e oferecendo o que cada um tem de melhor.

Cinco dicas de Maria Clara para o introvertido se dar bem na vida profissional

  • Conheça a si mesmo, respeite seu jeito e não tente se disfarçar de extrovertido;
  • Em uma conversa, diga que você está ouvindo e digerindo antes de interagir;
  • Não tenha medo de dizer que prefere pensar antes de fazer uma conclusão;
  • Não esqueça de falar sua opinião (em reuniões, por exemplo);
  • Divirta-se consigo!