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Home Office: um modelo ganha-ganha de gestão

Prática passou a ser vista pelas empresas como forma de atrair e reter talentos

por Heloisa Valente

O home office é uma tendência em várias partes do mundo e também no Brasil. Por aqui, ainda há bastante resistência ao modelo de gestão, mas quem trabalha divulgando os benefícios e implantando projetos dedicados ao trabalho remoto garante que a demanda é crescente entre profissionais e empresas.

É este o caso de André Brik, autor dos livros As 100 dicas do home office e Trabalho Portátil. Ele diz que nos últimos 10 anos o trabalho à distância ganhou participação nas empresas e angariou boa parcela de profissionais autônomos. “Os ganhos com o exercício da atividade são infinitos e vão desde a redução de custos para as empresas até a melhoria da qualidade de vida dos colaboradores.”

No entanto, ele comenta que, mais do que benefícios, a prática do home office passou a ser vista como forma de atrair e reter talentos. “A possibilidade de trabalhar remotamente já é um diferencial valorizado no mercado de trabalho, principalmente, pelos profissionais da geração y”, conta.

Benefícios corporativos
Acostumado a liderar treinamentos e projetos para a implantação do modelo em empresas, Brik afirma que o sucesso da atividade, muitas vezes, exige mudanças na cultura organizacional. “Em certos casos há necessidade de redesenhar as formas de supervisão e cobrança de determinados trabalhos. O foco passa a ser o resultado e não mais os processos que levam a ele”, destaca.

Um estudo da Global Place Analytics, nos Estados Unidos, aponta uma economia de US$ 500 bilhões por ano se as pessoas trabalhassem remotamente apenas meio período. O especialista diz que, no Brasil, ainda não há um mapeamento dos ganhos financeiros e nem da quantidade de pessoas que atuam dessa forma, mas lista uma série de pontos positivos com a implantação do sistema.

Entre eles estão: redução de custos com aluguel (na medida em que o espaço físico pode ser reduzido ou até mesmo eliminado); aumento da produtividade (estima-se que um colaborador trabalhando remotamente seja até 40% mais produtivo); e redução do absenteísmo (ausência no trabalho).

Ganhos pessoais
Se pelo lado empresarial, o trabalho portátil é visto com bons olhos, pelo lado do colaborador ele é cada vez mais desejado. “Imagina um profissional que perde mais de três horas no trânsito por dia para chegar ao trabalho. Será que ele não gostaria de trabalhar remotamente?”, questiona Brik. “Claro que sim!”

“Com base apenas nesses dois benefícios (menos tempo perdido e estresse) já seria possível atrair inúmeros profissionais ao home office”, afirma. Mas, na opinião dele, outros itens são igualmente atrativos, como a possibilidade de horário flexível, mais tempo com a família, economia com custos de combustível e alimentação, e qualidade de vida.

Ele pondera que, apesar de todos os atrativos, a prática para ser bem sucedida exige disciplina e organização. “Quem trabalha de casa, por exemplo, precisa ter um espaço adequado, um horário pré-estabelecido para as atividades corporativas, e uma rotina efetiva para cumprir suas metas”, enumera.

E para que a atividade transcorra bem ele alerta para o uso das mais variadas ferramentas de comunicação como conference call, e-mail, mensagens instantâneas via celular, entre outras. “Essa troca de informação é importante para o fortalecimento da relação entre colaboradores e gestores”, conclui.