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Férias: descanso sempre merecido

Pesquisa mostra as mudanças em relação ao benefício

por Heloisa Valente

Cada vez menos o brasileiro tira as tradicionais férias de 30 dias corridos. O mais comum no ambiente corporativo é a escolha por períodos menores, fracionados ao longo do ano. Por que isso tem acontecido?

As causas são muitas, conforme aponta pesquisa da consultoria Betania Tanure Associados (BTA). Entre elas estão equipes enxutas, o que dificulta a ausência por muito tempo; e o medo do profissional ser substituído nesse intervalo, já que alguém terá que assumir as funções do cargo. Um dos dados mostra que nove em cada dez profissionais não tiram as tradicionais férias e que, entre eles, 1/3 abre mão do descanso há pelo menos três anos.

Não tirar férias é bem visto?

Para Ana Luiza Albuquerque, da BTA, esse comportamento acaba não sendo saudável para a vida pessoal e profissional do funcionário. Por isso, engana-se quem pensa que as empresas valorizam mais os profissionais que nunca usufruem do descanso. “As férias são fundamentais para recarregar energias, estar com a família e exercitar a habilidade de dividir tarefas e delegar funções” afirma.

Ela explica que os executivos têm trabalhado mais, sendo que 29% deles dizem dedicar em torno de 16 horas por dia às atividades profissionais. “Com isso, muitas vezes, não praticam hobbies, não tem lazer e nem entretenimento algum. Em outras épocas, as férias eram sagradas, um momento especialmente dedicado a esses afazeres”, analisa.

As tecnologias (smartphones, laptops, tablets etc) reforçam essa dedicação a mais no tempo de trabalho. “Muito comum o profissional responder e-mails e mensagens instantâneas mesmo nas horas vagas”, diz Ana Luiza. E essa é mesmo uma das características que leva o profissional a não querer se ausentar. “Eles têm parte do tempo das férias tomado de algum modo e ainda se culpam por não estarem presentes nas principais decisões tomadas na sua ausência.”

Equilíbrio

A consultora comenta, ainda, que muitos profissionais se acham super-heróis e insubstituíveis em suas rotinas corporativas e, por isso, se culpam por tirar férias, apoiados na grande demanda de atribuições. “Essa é uma realidade que pode ser modificada com o exercício de dividir atividades e formar na equipe sucessores de suas tarefas. Assim, a culpa por estar fora acaba minimizada.”

Na avaliação de Ana Luiza, outro ponto a ser analisado é o planejamento das férias em harmonia com os períodos de maior importância para a empresa. “Achar esse ponto de equilíbrio é essencial. Para quem tem filhos, por exemplo, o ideal é coordenar o momento para toda a família. Mas, caso o período desejado seja complicado para a companhia, vale a espera e dedicação ao projeto em andamento. Esse entendimento entre as partes é item valorizado no competitivo mercado de trabalho”, conclui.

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