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Diversidade, uma necessidade para o mercado

Por Fefa Costa

No ambiente empresarial, a diversidade deixou de ser apenas uma prática para as organizações e passou a ser uma necessidade fundamental para o mercado.

Nos dias atuais, para manter a competitividade, a empresa precisa atrair e reter talentos de um amplo espectro de grupos de idade, gêneros, culturas e pessoas com deficiência. Isso faz do gerenciamento de diversidade algo muito além das políticas de seleção e contratação ou preenchimento de certas quotas, é a busca por profissionais que contribuam para a convergência de idéias.

Valores sólidos
Para o consultor Reinaldo Bugarelli, sócio- diretor da empresa Txai Consultoria e Educação – uma empresa que atua na área de sustentabilidade e responsabilidade social –, promover a diversidade de funcionários e gestores é um caminho que não precisa ser árduo, mas requer valores sólidos. Ter como premissa o respeito à individualidade e a identidade cultural e de gênero.

Reinaldo Bulgarelli

Para ele, essa fronteira em poucos anos será rompida, mas ainda é preciso o empenho de grandes empresas para lidar com as questões da “vida como ela é”. Passando pela forma de cadastro de funcionários, até análise de benefícios com maior abertura.

“A empresa, ao promover a diversidade, tem que rever seus processos e procedimentos. Rever sites, formulários e toda a parte formal. Depois investir no fator humano, com trabalhos de conscientização, porque muitos nunca conviveram com a diferença.”

Com experiência de 36 anos atuando em direitos humanos, Bugarelli destaca que as empresas que investiram em diversidade melhoraram. Não quer dizer que não haja conflito, mas eles são enfrentados com respeito e conduta.

“Empresas que investem na diversidade melhoram o dialogo com diversos públicos, passam por crises de uma maneira melhor. O ambiente mais diverso é mais rico em idéias e soluções.”

A diversidade que inclui
A diversidade passou a incluir diferenças não só de raça, gênero ou credo, e para ter foco e a ação não ser dispersa e pouco eficaz em uma empresa, há duas áreas para voltar-se: as motivações das pessoas para agir ou suas competências profissionais e capacidades de liderança.

Cid Torquato

Para Cid Torquato, coordenador na Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, o preconceito está diminuindo, mas ainda é muito arraigado, aqui e em qualquer parte do mundo. Ele acredita que a melhor forma de ultrapassá-lo é com o convívio, na escola, no esporte, no trabalho e na rua.
‘Não é fácil, para muitos, entender que é na diversidade que reside nossa maior riqueza como sociedade.”

Torquato é tetraplégico, e atua com empenho na inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Mas, para todos – independente de qual aspecto que o torna “diverso”, ele orienta a busca pela qualificação e a resiliência para encarar as adversidades. Mesmo com os avanços recentes, o advogado especialista em tecnologia, trabalha para que as conquistas sejam mais expressivas. E, para isso, ela aposta em um caminho apenas.

“A inclusão passa definitivamente pelo trabalho.”

Aceitação como meta
Seja qual for o perfil ou a cultura, dentre as motivações que levam as pessoas a realizar ações, o dinheiro é considerado a motivação universal predominante. Mas, quando o tema é diversidade, existem também necessidades intangíveis como reconhecimento e aceitação.

Marcia Rocha

Para Márcia Rocha, o reconhecimento profissional é a questão que a move. A advogada, integrante da Comissão dos Direitos da Diversidade Sexual e combate a Homofobia da OAB/SP, ainda está registrada na Ordem com seu nome de batismo: Marcos Cesar Fazzini da Rocha.

“No mercado o que importa é a sua capacidade produtiva. Ninguém quer contratar um problema, querem um profissional competente.”

Ela, que fez “transição” há três anos, revela que para os transexuais o preconceito é muito forte. Orienta a capacitação dos profissionais e maior mobilização das empresas, para atender essa fatia expressiva da sociedade.

“Temos que criar uma ponte. Um acesso, para que esses profissionais entrem nas empresas e mostrem suas habilidades. O trabalho formal, que valorize a produção profissional, pode mudar a realidade de muitos travestis em pouco tempo.”

A advogada alimenta um sonho, que considera que em breve será realizado. “Um dia teremos uma travesti neurocirurgiã. Esse será o marco para mostrar que quando o tema é trabalho, não existem diferenças.”

Eu faço parte desta empresa
Recrutar e manter funcionários com perfis diversos pode ser uma fonte de vantagens competitivas, mas o objetivo deste trabalho é construir, com as diferenças, um posicionamento sólido e responsável socialmente de uma marca ou instituição.

Empresas que possuem o gerenciamento de diversidades como parte integrante de sua declaração de missão, buscam a compatibilidade com as motivações de seus funcionários, clientes e sociedade em que estão inseridas.
O sentimento de fazer parte de um propósito e ser a representante dele é a profissão de Mercia Brito.

Mercia Brito

A promoter de uma das mais badaladas casas da noite paulistana tem sua imagem diretamente associada ao seu trabalho. Para ela, a presença marcante foi um ponto de destaque em sua carreira. Mas o bom uso dessa qualidade aliado ao conhecimento e a força de vontade. O jargão “saber chegar e ser respeitada” foi fundamental.

“O respeito é fundamental. Não dá para ficar em um lugar onde ele não exista. Vejo isso também do outro lado. Quando chega um cliente, eu e a empresa vamos tratá-lo com respeito e esperamos o mesmo em troca.”

Em 15 anos de profissão, o ciclo do “dar e receber” respeito é característica dessa baiana que já foi modelo, produtora e conquistou sua cadeira cativa na Paulicéia. Sempre com seu belo sorriso, nunca desistiu de ter seus espaço. Encarou e superou desafios com confiança em seu potencial.

“Sou capaz e faço parte de uma empresa que gosta e investe em meu trabalho. Por isso coloco o meu melhor e vou à luta.”