Home > Acontece > Acontece no Mercado > Quem são os profissionais por trás do Carnaval

Quem são os profissionais por trás do Carnaval

Pessoas que trabalham fazendo roupas, sambando ou exportando o samba

por Fefa Costa

O Carnaval de 2019 deve alcançar quase R$ 1,9 bilhão em receita de serviços apenas em São Paulo, segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC). A cifra é 5,4% maior do que a alcançada no ano anterior. O Rio de Janeiro, líder em receita, deve bater mais de R$ 2 bilhões, mas crescer apenas 2,5%, menos da metade de São Paulo, em relação a 2018.

Além das cifras, “na cadência bonita do samba”, pessoas transformaram sua paixão pelo ritmo, adereços, cores e vibração do Carnaval em profissão de fé, suor, dedicação e muita competência. Carreiras brilhantes que, por vezes, passam por incógnitas no universo reluzente de uma festa que gera renda e demanda o ano inteiro. São costureiras, aderecistas, pintores, escultores e um contingente de pessoas, muitas vezes sem formação específica ou especialização, que compõem equipe e fazem o Carnaval acontecer.

Avenida: a vitrine do Carnaval

Carnaval: carnavalesco Nilson Lourenço

Com mais de 20 anos de carreira dedicados exclusivamente ao Carnaval, Nilson Lourenço é a festa em pessoa. “Lembro-me das minhas perninhas penduradas no parapeito do viaduto, vendo o desfile das escolas de samba passar na Avenida Tiradentes. Não lembro minha idade certa, era nos anos 70. Mas recordo perfeitamente que a escola era a Vai-Vai”.

Em 88, a grana estava curta e, para não perder a folia, Nilson fez sua própria fantasia. Foi o maior sucesso. No ano seguinte, chegaram os primeiros pedidos. “Sempre

gostei de adereços. Em 89, eu tinha várias encomendas de fantasias para fazer e isso acabou se transformando na minha profissão. Hoje faço fantasias para festas de diversos lugares do mundo e figurinos com tema de dentro e fora do Carnaval”.

Aos poucos, Nilson retomou sua vocação natural de carnavalesco. Vê os desfiles como o momento de mostrarem a produção de um ano e a criatividade característica da festa. “A avenida é uma grande vitrine para os profissionais e artistas do Carnaval.”

Rainha o ano todo

Carnaval: rainha Andressa Telles

Vinda de uma família dedicada ao samba, Andressa Telles foi rainha do Carnaval santista de 2013. Além de tocar instrumentos de percussão, Andressa é dona de um sorriso perfeito. Afinal, a rainha também é recepcionista de um consultório odontológico.A perfeição, no entanto, não fica apenas no sorriso. Ela mantém uma rotina rígida para dar conta do trabalho e da realeza. “Por isso tem que estar com o corpo, a postura e a simpatia em dia. Mas não me acomodo, tenho que ralar.”

As rainhas das grandes cidades brasileiras têm compromissos durante o ano inteiro do reinado. Festas e eventos que divulgam a cultura carnavalesca dentro e, algumas vezes, fora do país. Ao lado do Rei Momo – o rei da folia – e da princesa, no mito da corte do Carnaval, a rainha é a guardiã da chave que abre as portas da cidade nas festas.

Carnaval exportação

Carnaval: produtor de eventos Danniel Nobile Okamoto

Danniel Nobile Okamoto é formado em Mecânica Industrial, Bacharel em Desenho Industrial e pós-graduado em Gestão de Negócios em Entretenimento. Entretenimento? Pois é, Danniel e sua equipe são expoentes do Carnaval exportação. “Conheci em 2005, antes disso mal sabia que existiam escolas de samba. Me casei com a Camila Basilio Okamoto, vice-presidente de uma das maiores escolas de samba de São Paulo, a Sociedade Rosas de Ouro. Ela quem me apresentou a esse fantástico mundo.”

À primeira vista, os carros alegóricos chamaram sua atenção. O interesse pelo processo construtivo e estético das alegorias rendeu uma experiência de dois anos coordenando a montagem de carros e fantasias no barracão. Junto com a esposa, Danniel ficou à frente do departamento de evento da Rosas de Ouro, com agenda intensa de compromissos internacionais.

Danniel é o criador da Dahouse, empresa especializada em eventos com temática carnavalesca, e responsável pelo portal “O Carnaval de São Paulo”, onde reuniu todo acervo que conseguiu levantar em seus estudos. Ele ainda promove a festa em Gana e Zimbábue e foi convidado em participar do Samba Festival de Coburg, na Alemanha, um dos maiores festivais da Europa.