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Coach ajuda no planejamento da carreira

Profissional ajuda a despertar talentos às vezes esquecidos

por Patricia Roque
fotos por Rogerio Montenegro

Todo profissional já se deparou, em algum momento da vida, em uma encruzilhada que vai além do “mudar de emprego ou comprar uma bicicleta”. Às vezes embora exerça a profissão que escolheu, a pessoa sente que aquele trabalho o sufoca, começa a ter problemas de relacionamento com o chefe, não se sente mais desafiado e que parou de evoluir na carreira. Foi isso que aconteceu com Rafael Urbano, que trabalha com inteligência de mercado.

Aos 31 anos, ele percebeu que o trabalho em uma empresa de pesquisa começava a se tornar muito estressante, consumindo cada vez mais tempo da sua vida, criando uma insatisfação que se refletia no relacionamento com a chefe – que só se deteriorava. Essa infelicidade culminou num pedido de demissão, e ele resolveu contratar o serviço de um coach para ajudá-lo a direcionar melhor a carreira e a vida.

“O coach é um profissional que ajuda a despertar talentos que às vezes, pela rotina, acabam ficando esquecidos. O trabalho do coach é ajudar o cliente a descobrir quem ele é, e criar opções viáveis para ele obter os resultados desejados dentro do objetivo estabelecido”, explica Rebeca Toyama, diretora de projetos Especias da Thomas Case.

‘No coach não existe retrovisor’
Ela salienta, entretanto, que o trabalho é diferente do desenvolvido por um psicólogo, por exemplo. “A psicologia abraça o passado para entender o presente. No coaching nós olhamos o presente para ver a melhor forma de dar os próximos passos. Costumo dizer que no processo de coaching não existe retrovisor, apenas para-brisa”, explica Rebeca.

Rebeca Toyama, diretora de Projetos Especiais do Instituto de Pesquisa em Coach

“O coach tem um processo mais pragmático e rápido: eu tinha um problema de insatisfação. Através de questionamentos, o coach me ajudou a enxergar o problema e como resolvê-lo. Tudo muito objetivo”, conta Urbano. No caso dele, foram três meses de encontros semanais presenciais, que o ajudaram a entender melhor aspectos negativos da própria personalidade, buscar maneira para melhorar esses aspectos ao mesmo tempo em que lhe deram novas perspectivas para a carreira e a vida, conta Urbano.

Ainda assim, diz ele, não se trata de um guru. “O coach é uma pessoa que tem uma visão de fora e que consegue direcionar melhor as decisões que o cliente quer tomar. Ele ajuda a ampliar a consciência e permite que o potencial das pessoas seja revelado dos aspectos mais tangíveis aos mais sutis”, diz.

Enxergando o ser humano de forma integral
Segundo Rebeca, embora seja normalmente ligado à carreira, o processo de coaching pode ser feito em vários aspectos da vida. “Aliás, existem várias vertentes, mas o importante é enxergar o ser humano de forma integral.”

No caso de Urbano, foi um processo de coaching pessoal, mas existem outras modalidades. O mercado se divide basicamente em Personal Coaching (Coaching Pessoal), Life Coaching (Coaching de Vida) e Executive and Business Coaching. “Embora seja muito voltado para o desenvolvimento da pessoa, o coaching também pode desenvolver as competências que as empresas precisam”, explica José Carlos Ermoso, coach e consultor do Instituto Eco Social.

Rafael Urbano, que trabalha com inteligência de mercado

Ele explica que o Executive and Business Coaching está relacionado ao mundo corporativo, desenvolvimento de empresas, organizações e pessoas em cargos de liderança. Como exemplo ele cita uma empresa que tem metas para o ano. Nesse caso, o coach pode ajudar a equipe a alcançar essas metas, buscando as potencialidades de cada colaborador.

“Mas todo processo é individual, mesmo com as metas sendo globais ao grupo”, explica, afirmando que em qualquer situação: corporativa ou pessoal, o coaching é tratado com sigilo. “Mesmo em casos em que a empresa contrata o trabalho, o feedback é para o profissional, nunca para a empresa. Esse processo é quase sagrado”, explica Ermoso, que realiza o processo em um misto de sessões presenciais e por telefone ou internet.

Telefone ou Skype
“Normalmente a primeira sessão é presencial, para se estabelecer um vínculo e a última também, para dar o retorno e fechar o ciclo. Nas intermediárias nada impede que sejam por telefone ou internet, através do Skype, por exemplo”, diz Ermoso.

Diferentemente de uma terapia, o processo de coaching tem prazo para acabar. E, explica Rebeca, isso é acertado logo no começo, mas o processo normalmente varia de 10 a 12 sessões. “Salvo exceções, esse período é suficiente para o cliente alcançar aquilo que busca.”