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Brasil deve ser destaque em Jogos Paralímpicos

Conheça a atleta que também é agente de telecomunicações

por Guss de Lucca

Entre os dias 7 e 18 de setembro ocorrem os Jogos Paralímpicos no Rio de Janeiro. O Brasil terá 287 atletas na delegação, a maior da história do país. E a expectativa é de que seja destaque no quadro de medalhas da competição. Isso porque, no último Parapan, realizado em Toronto, no Canadá, os atletas brasileiros conquistaram 210 medalhas, fazendo do Brasil líder absoluto do quadro geral.

Dificuldades nos Jogos Paralímpicos

Apesar do ótimo resultado, a vida dos atletas paralímpicos brasileiros não é fácil. E isso começa na base, na dificuldade que um deficiente físico encontra ao buscar um local próprio para a prática do esporte. “Esse ainda é o maior desafio”, afirma Simone Rocha, atleta da seleção brasileira de goalball e presidente do Conselho de Atletas do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). “O atleta tem que buscar uma instituição específica para fazer o treinamento, não pode ir ao centro esportivo do bairro.”

goalball é um esporte de quadra específico para pessoas cegas que tem três jogadores em cada time e utiliza uma bola com um guizo para auxiliá-los na busca por um gol. “Falta realmente infraestrutura”, constata Simone. “Se houvesse uma modalidade dos Jogos Paralímpicos nos municípios haveria mais gente praticando”. Ela reconhece que houve muitos avanços quando compara as dificuldades que encontrou no início da carreira com a dos atletas que estão chegando agora.

“Quando comecei no esporte, não poderia sobreviver dele, tanto que tenho uma atividade profissional”. Simone nasceu com glaucoma congênito e chegou a enxergar parcialmente até os 12 anos de idade. Hoje, divide a atuação de atleta com o trabalho de agente de telecomunicações da polícia civil.

Simone destaca que existe uma bolsa para atletas e que muitos colegas já conseguem obter ganhos financeiros com esporte. “Mas ainda falta muito”. Queixando-se do disparate entre os recursos alocados nos atletas olímpicos em relação aos paralímpicos. “Quase o dobro do recurso previsto por lei vai para o esporte olímpico”.

Dificuldades no mercado de trabalho

No mundo profissional a realidade também é difícil. O mercado de trabalho em geral não está preparado para empregar a pessoa com deficiência. Isso porque para que elas sejam inseridas é preciso haver uma quebra de paradigmas: a empresa tem que estar disposta a ouvir e o deficiente estar disposto a interagir.

“Muitas vezes as pessoas não sabem o que o deficiente pode ou não fazer. Aí a empresa contrata a pessoa e não dá nenhuma função para ela”. Para Simone, mesmo que a intenção seja a de incluir, essa realidade acaba por excluir cada vez mais, pois as pessoas com deficiência acabam sendo vistas como incapazes. “É preciso descobrir as atividades certas para as pessoas certas.”

Mesmo com as dificuldades, a dica é não desistir. “Primeiro é preciso entender qual é sua deficiência”, afirma Simone. “O comitê paralímpico pode dar orientações sobre os esportes mais recomendados e indicar os locais em que as essas modalidades são praticadas”.

 

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