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2014: ano da compliance para o mercado jurídico

Profissional da área Penal com foco em negócios está cada vez mais valorizado

por Fernanda Bottoni

Este foi o ano da compliance para o mercado jurídico. Quem afirma é André Camargo, coordenador de pós-graduação em Direito do Instituto de Ensino e Pesquisa, o Insper, que viu os cursos ligados à área e à governança corporativa bombarem na escola em 2014. Grande parte do que ocorreu foi consequência da Lei Anticorrupção, que entrou em vigor no início do ano. “Antes isso era uma preocupação só de bancos e agora é de qualquer organização empresarial, com ou sem fins lucrativos, que de alguma forma tenha de se relacionar com o Estado e os órgãos públicos”, afirma.

Com isso, profissionais da área Penal – que até então eram mais ou menos como o “patinho feio” do Direito, apesar da muita experiência de emprego – foram valorizados e passaram a buscar conhecimento de negócios para prevenir e gerenciar riscos empresariais. Por outro lado, advogados de diferentes áreas também começaram a buscar conhecimento em Penal. Nessa disputa, no entanto, Camargo acredita que o primeiro grupo leve vantagem. “Quem já tinha formação em Penal entende mais rápido o impacto que isso gera numa empresa”, afirma. “Sem contar que não tem tanta gente que entende de Penal, mas tem muita gente que entende de Direito Empresarial”, diz ele.

Novos investimentos
A consultoria Hays assina embaixo, dizendo que as contratações nessa área foram impulsionadas este ano não por novos investimentos, mas pela necessidade de adequação do Brasil às regras da Lei Anticorrupção, além da troca de profissionais por questões de performance, produtividade e também redução de custos. “O quadro de incertezas conjunturais – economia, grandes eventos, mudanças na legislação – colaborou positivamente por essa busca de eficiência na hora de contratar pessoas”, afirma em seu relatório Guia Salarial Hays Insper 2014/2015, divulgado recentemente.

A Hays também observou um movimento em relação à diferença de perfis escolhidos por empresas e escritórios de advocacia. Enquanto o primeiro grupo adotou como estratégia contratar profissionais com perfil generalista, especialmente nas áreas de societário e contratos, tributário e trabalhista, o segundo intensificou a integração de profissionais especializados em setores como fusões e aquisições, mercado de capitais e propriedade intelectual.

Salários
Segundo o Guia Salarial Hays Insper, os maiores salários dessa área estão nos cargos Sócio da Área Societária e M&A, que ganham de R$ 22 a  R$ 45 mil reais, e Sócio da Área Tributária Consultiva (de R$ 20 mil a R$ 40 mil). As faixas salariais consideram escritórios de grande porte de São Paulo. Entre os advogados plenos, a remuneração fica em torno de R$ 6,5 mil a R$ 7,5 mil para a maioria das áreas, com exceção das mais bem pagas, como Advogado Pleno Infra-Estrutura, que ganha entre R$ 8,5 mil e R$ 9 mil, e Advogado Pleno Societário e M&A, que chega a receber R$ 10 mil por mês.

Perspectivas
Para o próximo ano, Camargo aposta em mais uma revolução. “No começo de 2015 deve ser aprovado o Novo Código de Processo Civil”, diz ele. “Aí teremos outra área renascida das cinzas, que é a dos advogados de contencioso, que também serão demandados nas empresas”, acredita.

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