A arte de identificar e desenvolver agilidade de aprendizado em seus líderes

Capacidade é bem-vinda em empresas especialmente nesta era digital em que tudo se transforma o tempo todo.

A velocidade com que tudo muda o tempo todo nos negócios e no próprio ambiente corporativo está valorizando cada vez mais profissionais com agilidade de aprendizado. Essa característica ganhou atenção há cerca de sete ou oito anos, quando algumas pesquisas ligadas a Creative Leadership (CCL), Columbia University e Korn Ferry, entre outros, apontaram o quanto esse indicador pode ser eficiente para identificar profissionais com alto potencial para liderança. E faz todo sentido. Afinal, pessoas com essa característica aprendem mais rápido e de forma contínua a partir das próprias experiências. Além disso, são capazes de aplicar as lições já aprendidas em situações inéditas e desafiadoras.

Profissionais assim, obviamente, fazem a diferença na tomada de decisão dentro das empresas. É por isso que muitas delas começaram um trabalho para identificar essa característica em seus potenciais líderes. Até ferramentas de assessment já foram criadas para identificar, mensurar e desenvolver essa capacidade.

De modo geral, alguns comportamentos são bastante característicos entre profissionais com agilidade de aprendizado. Segundo George Hallenbeck, diretor do Center for Creative Leadership (CLL), essas pessoas apresentam melhor desempenho que os pares, absorvem novas informações mais rapidamente, interagem de forma mais eficiente, adaptam-se bem ao trabalho global, são promovidos mais frequentemente e têm menos tendência a perder a direção.  

4 competências que compõem a agilidade de aprendizado

Em sua apresentação no HR Conference, realizado recentemente pela HSM, Hallenbeck apresentou quatro competências que compõem a agilidade de aprendizado. São elas:

BUSCA

É a disposição para mergulhar em situações novas e desafiadoras que ampliam e expandem suas experiências. Para essas pessoas, situações inéditas e complicadas são oportunidades de aprendizado.

REFLEXÃO

É a capacidade de adquirir conhecimento por meio da experimentação. Pessoas que têm essa competência conseguem fazer correções ao longo do caminho, reconhecer que não têm conhecimento sobre determinado assunto e tolerar ambiguidade ou incertezas.

INTERNALIZAÇÃO

É a capacidade de buscar feedback e reflexão para incorporar lições importantes. Estes profissionais respondem de maneira eficaz a críticas, aprendem com seus erros e querem retorno honesto sobre seu desempenho.

APLICAÇÃO

É a habilidade de aplicar a situações novas e desafiadoras lições aprendidas anteriormente. Quem tem essa competência consegue, por exemplo, criar formas novas e diferentes de resolver problemas e se ajustar facilmente a mudanças nas circunstâncias.

Principais perfis dos profissionais com agilidade de aprendizado

Em 2011, quando era VP da Korn Ferry, Hallenbeck também participou de uma pesquisa conduzida pela empresa que dividiu profissionais com agilidade de aprendizado em sete perfis mais frequentes. São eles:

Solucionadores de problemas: exploram a complexidade do problema, avaliam o que pode dar certo e resolvem a questão com uma mistura de motivação e desenvoltura. Este é o mais frequente dos sete perfis e o que mais se encaixa na definição “clássica” de uma pessoa com alta agilidade de aprendizado.

Líderes de pensamento: este perfil procura insights e costuma fazer perguntas e conexões difíceis. Ele tende a funcionar melhor nos bastidores.

Pioneiros:  eles têm uma noção clara de onde devem estar e são determinados a chegar lá a qualquer custo. É o tipo de pessoa que se sente em casa em terrenos ameaçadores, onde outros nem ousam pisar.

Campeões: como o herói de um conto clássico, este perfil tem talento para salvar o dia em grande estilo. Ele é capaz de lidar com situações difíceis com humor e graça e permite que os outros também possam brilhar.

Pilares: eles se esforçam para elaborar e implementar soluções altamente refinadas, mas tendem a se concentrar mais na elaboração de melhorias do que em mudanças radicais.

Diplomatas: quando as apostas são altas e a situação exige habilidades pessoais, essas são as pessoas que você quer na liderança da empresa. São hábeis em avaliar os outros e podem ajustar seu estilo às necessidades de cada momento.

Energizadores: orientados para a realização, extremamente trabalhadores e capazes de inspirar a equipe, os energizadores têm ótima reputação e costumam montar uma equipe comprometida e capaz.


Como desenvolver agilidade de aprendizado em sua empresa

Além de identificar profissionais com essa característica, outro desafio que na maioria dos casos cai nas mãos do RH é desenvolver essa capacidade e disseminar o pensamento de aprendizado ágil e contínuo pela empresa.

Uma forma de começar essa maratona de conhecimento é fornecer aos profissionais novas atribuições com a maior frequência possível. O job rotation também pode ser boa estratégia. Esses dois caminhos servem ao duplo propósito de dar aos funcionários a oportunidade de aprender ao mesmo tempo em que trabalham num projeto que traz benefícios para a organização.

Outra forma eficiente, segundo os especialistas, de incentivar o aprendizado contínuo é propor aos funcionários, por exemplo, alguma prática para rever e discutir estudos de caso inspiradores ou que sirvam como alertas. Também vale a pena estimulá-los a identificar, construir e avaliar argumentos a favor ou contra planos de ação específicos.

Em algumas empresas, a gamificação também tem sido utilizada como ferramenta para esse propósito. A ideia é atrelar o aprendizado a pontuações, desafios e competições entre os funcionários.

Deixe um comentário

Por favor, seja educado. Nós gostamos disso. Seu e-mail não será publicado e os campos obrigatórios estão marcados com "*"