As vantagens de parcerias entre ONGs e empresas privadas

Andrea Peçanha no Fórum VAGAS

Aparentemente distintas e quase sempre atuando separadas, as ONGs (Organizações Não-Governamentais) e as empresas do setor privado podem unir esforços e gerar impactos positivos não apenas para as próprias instituições, mas também para a sociedade e o meio ambiente. Foi para explicar mais sobre essas ações colaborativas que a bióloga, pedagoga e especialista em Ciências Ambientais Andrea Peçanha subiu ao palco do auditório do Fórum VAGAS, que acontece durante a HSM ExpoManagement 2014, em São Paulo.

Há 17 anos no IPÊ (Instituto de Pesquisas Ecológicas), ela traçou uma breve história da organização e mostrou como as parcerias com empresas do setor privado, como Havaianas, AMBEV, Correios, TAM e Danone, aumentaram o raio de ação da ONG. “Isso aconteceu graças ao marketing relacionado a causa, uma ferramenta que surgiu nos EUA e consiste na mobilização de recursos com base na qual uma empresa associa sua marca a uma causa ou organização social”, explicou.

A primeira parceria teve início há dez anos com a fabricante de sandálias Havaianas. O foco foi explorar a biodiversidade da fauna brasileira nas imagens estampadas no produto – um movimento que rendeu mais de R$5 milhões à causa. Outra conquista recente envolve o plantio de 1,5 milhão de árvores no Pontal do Paranapanema, com 7 km de extensão – o maior corredor de Mata Atlântica do Brasil.

“As causas hoje são muito complexas. Não adianta achar que um único ator vai resolver tudo. O setor privado, as ONGs e os governos precisam formular maneiras de atuar juntos – cada um utilizando seus conhecimentos e práticas para atingir um objetivo comum”, contou Andrea.

Para traçar uma parceria com empresas ela disse que é preciso fazer sua lição de casa e responder a algumas perguntas, como com qual instituição você quer firmar uma parceria e quais são as barreiras que precisam ser superadas nesse relacionamento. De acordo com a bióloga, basicamente dois motivos levam a essas parcerias: os altruísticos, onde o objetivo é ajudar terceiros, e os utilitários, que buscam beneficiar os parceiros na medida em que buscam suprir necessidades organizacionais de ambos.

“Apesar do nome utilitário soar mal para alguns, ele não é melhor nem pior do que o motivo altruístico. A Avon, por exemplo, fez uma pesquisa para descobrir o que afligia seu público consumidor – majoritariamente feminino – e descobriu que era a questão do câncer de mama. Por isso, a empresa passou a investir na prevenção. A motivação era tornar seu público consumidor mais feliz.”

De acordo com Andrea o diálogo entre as partes e a disponibilidade de aprender com o outro são essenciais a essas parcerias e fomentam valor. Enquanto para as ONGs isso significa o aporte de recursos para tocar os seus projetos, para as companhias essa união gera capital reputacional, minimiza riscos e aumenta seu valor em esferas distintas, como a educacional, ambiental e social.

“As pessoas querem comprar produtos de empresas que não fazem uso de trabalho infantil ou aplicar seu dinheiro em bancos que não financiem o desmatamento. As instituições têm interesse em estarem afinadas com o que o pensam seus consumidores”, finalizou a palestrante.

Continue acompanhando a cobertura completa do Fórum VAGAS aqui no site e nas redes sociais da VAGAS.com.

Faça o download da apresentação da Andrea Peçanha.



Sorry, the comment form is closed at this time.