Como é uma empresa sem chefes? O modelo de gestão horizontal

Mario Kaphan no Fórum VAGAS
O primeiro dia de atividades no Fórum VAGAS edição HSM ExpoManagement 2014 foi fechado com a participação de Mario Kaphan, o fundador da VAGAS.com. O auditório atingiu lotação máxima, ocupado por dezenas de pessoas interessadas em ouvir a história da empresa cem por cento brasileira que inspira curiosidade e ganha prêmios como “The Unlimited Human Potencial Chalenge” e “GPTW”, por conta da atitude radicalmente horizontal.

Em números, o destaque da empresa em seu mercado de atuação é nítido: são 160 colaboradores,  2800 clientes, incluindo 68 das 100 maiores empresas brasileiras, no mínimo 24% de crescimento anual e presença expressiva nas mídias sociais (no Facebook, a VAGAS tem a maior fanpage de carreiras do Brasil, com os atuais 870 mil fãs).

Kaphan fez questão de iniciar pontuando o processo contínuo de reinvenção a que se submete o modelo “sem chefes” praticado pela empresa. Segundo ele, tudo está sendo construído e o esquema funciona bem para a VAGAS.com, que não vê problemas em errar, reconstruir , refazer ou mudar de direção. Não necessariamente isso seria aconselhável a outras empresas.

Quando o empresário relatou o histórico, tudo se explicou:. “No inicio era fácil. A equipe, pequena na época, desenvolvia seu principal produto contando com o engajamento do time e graças às francas discussões. Nascia ali o forte conceito de parceria com clientes e entendimento profundo de suas necessidades. Ao longo dos anos,  a prática se reverteu em vantagem competitiva”, afirmou Kaphan.

Como manter tal vantagem com o aumento de pessoal, derivada dos valores compartilhados e do “espirito de empresa pequena”? A resposta foi a geração natural do modelo vivenciado hoje, baseado em liberdade, iniciativa e autonomia.

Ao som de uma trilha sonora divertida e personalizada, foram exibidos em vídeo, depoimentos de colaboradores que se intercalavam a cenas cotidianas do ambiente de trabalho na empresa, exemplificando parte do “ecossistema”.

A apresentação seguiu então para outros importantes exemplos do funcionamento da empresa:

  • Na VAGAS.com, a vivência de valores é o que justifica toda essa diferença. Quando uma pessoa tem uma decisão a tomar, por exemplo, se confronta diretamente com esses valores. Não se delega quaisquer dessas decisões a uma cúpula para todos participem do processo e assim estejam na mesma página;
  • Não há hierarquia, nem relação de mando, mas maior quantidade de líderes do que se vê em uma gestão vertical. Esses líderes nascem organicamente e representam pessoas que são especialistas em determinado assunto e por isso podem ser diretamente contatadas;
  • A gestão é baseada no consenso. Todos precisam discutir. Conceito diferente de democracia. Nada é decidido por meio do voto. Quando a situação pede um número menor de participantes em sua resolução, o pressuposto do consenso permite que até uma única pessoa tome a ação necessária, sem deixar de lado um dos mantras da empresa, descrito abaixo;
  • Frase chave para a sobrevivência do profissional no ambiente horizontal: “Na VAGAS.com eu faço o que eu quero e todos têm tudo a ver com isso”;
  • As equipes  contratam, desenvolvem e quando necessário demitem. Contrata-se sempre quem tem algo a ensinar;
  • As pessoas têm a responsabilidade de abrir controvérsias quando perceberem oportunidades de melhoria. No entanto, o desapego deve ser exercitado, no sentido que se busca o prazer até no fato da “derrota” em uma discussão. O resultado a ser buscado é sempre a melhor opção para a comunidade;
  • O planejamento estratégico iniciado no começo de cada ano é revisitado a cada 15 dias, durante as reuniões estratégicas, quando cada equipe ou comitê analisa seus indicadores e reinventa formas de realizar melhor seu trabalho. Há sempre cadeiras vazias, disponíveis a qualquer profissional da comunidade que tenha interesse em contribuir com sua visão ou conhecimento;
  • Avaliação e remuneração: cada pessoa avalia a si própria, sua equipe e outros colegas com quem  tenha trabalhado. Tal avaliação contempla quatro pontos principais: compreensão do negócio, competências técnicas, foco em resultado e vivência da cultura da empresa. Ao final do processo, o profissional tem uma hora de devolutivas com o pessoal de RH, onde são analisados resultatos qualitativos e quantitativos, além da eventual redefinição salarial.

Confira a cobertura completa do Fórum VAGAS aqui no site e nas redes sociais da VAGAS.com.



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