De Volta para o Futuro…. A reinvenção do Job Board

foto do fundador da empresa vagas.com

Uma entrevista com Mario Kaphan sobre as tendências e novidades do mercado global.

A Vagas.com participou do Management Forum 2026, evento realizado pela The Network em Praga, que reuniu as principais plataformas de recrutamento e seleção do mundo para debater o futuro do setor.

A indústria do recrutamento vive uma mudança de lógica. O modelo tradicional, em que a empresa divulga a vaga e depois espera o candidato ideal aparecer está ultrapassado.

O encontro em Praga, com representantes de plataformas icônicas em 25 países, foi focado em novos paradigmas. E a apresentação dos novos conceitos de IA colocaram a Vagas.com no centro do debate.

As discussões em Praga apontaram para um movimento claro: as plataformas precisam evoluir de canais de divulgação para ambientes que constroem conexões relevantes ao longo de toda a jornada profissional. Menos volume de candidaturas, mais aderência entre pessoas e oportunidades.

Mario Kaphan nos conta o resto…


O que nós aprendemos e o que ensinamos em Praga?

MK. A gente aprendeu muito, vivenciando na prática, no contato direto  com mais de 25 empresas do mundo inteiro,  muitas delas líderes nos mercados em que atuam. Na maioria dos casos foram conversas sobre a evolução da tecnologia que nasceu dos antigos Job Boards, algo que todos conhecemos como os classificados de emprego.

Esse avanço da tecnologia coloca a indústria também como mídia, produtora e veiculadora de anúncios. Trata-se de um ambiente onde a lógica de trabalho apresenta desafios importantes, como o custo na divulgação das vagas.

Aprendemos, e ficamos felizes com isso. Percebemos que nos posicionamos em um espaço onde praticamente ninguém está operando, tá? 

Me refiro à candidatura qualificada. É porque estamos falando de gente e de processo. O que estamos “vendendo” são vagas inteligentes. As candidaturas são qualificadas no sentido em que o candidato é escolhido com foco no sucesso do cliente. E o sucesso do cliente é captar pessoas que realmente são aderentes a aquela vaga, né?  Quer dizer então que o nosso relacionamento com o mercado parte do cliente. É construído nessa relação. E todas as inovações e tudo o que fomos criando se deu à partir do sucesso do Cliente que é contratar bem e rápido. Foi uma confirmação que estamos no caminho certo e muito na frente dos nossos competidores. Além disso, a nossa visão de futuro e de presente acabou legitimada por uma audiência internacional e especialista.


Podemos dizer eventualmente que ensinamos, ou melhor mostramos como podem ser os job boards do futuro?

MK. O último slide da nossa apresentação dizia “reinventando o job board”. Aprendemos que enquanto lá fora todo mundo está mexendo com job boards, a gente mostrou o que vem depois do job board. Isso chamou  a atenção, abriu um novo caminho.  Muito na prática, a gente mostrou uma outra lógica, uma coisa que vai muito além e que é muito objetivamente centrada no sucesso do cliente. Quero dizer: as inovações que a gente levou lá são resultado de uma vivência prática, não é discurso.


Você enxerga o mercado dividido entre duas lógicas diferentes? A lógica da publicidade e a lógica da inteligência?

MK. Então, essa área toda de publicidade, está sendo fortemente ameaçada por essa abordagem que nós definimos através de nossas entregas como “vagas inteligentes” e “candidaturas qualificadas”. As discussões mais importantes têm a ver com isso. O que o mercado pode fazer para não perder valor por conta das formas alternativas de captação que são baseadas em redes sociais e em outras mídias digitais.  As ideias são basicamente na linha do “vamos partir para anúncios mais focados em performance” mas a performance mantém a lógica da publicidade. Então aparece o  “vamos trabalhar com anúncios programáticos”, ou coisas do gênero. Tudo tem a ver com o objetivo de chegar nas pessoas, mas sem sem clareza do objetivo final que deve ser o sucesso do cliente.

Quando pensamos o nosso negócio sob a perspectiva do sucesso do cliente a lógica do trabalho de seleção se amplia. Precisamos pensar na captação, seleção e preparação de candidatos. Pensar em tudo que possa representar uma vantagem para os nossos clientes. Desenvolver uma relação íntima com eles para podermos inclusive antecipar suas necessidades.


Faz sentido pensar em um Job Board digamos “ativo”, ou seja, mandamos as vagas inteligentes para os candidatos qualificados?

MK.Deixa ver se eu consigo explicar melhor. Podemos abordar as pessoas ativamente ou não. No caso da gente abordar ativamente, chegamos para elas dizendo: “Olha, tem uma vaga que é especial, incrível para você”. E ela é mesmo, porque estamos falando de “vagas inteligentes”, aquelas que procuram candidatos premium.  A gente vai ver  também o que conseguimos obter de captação espontânea e tal. Agora, por outro lado, uma pessoa que entre no Vagas.com, tem lá o seu job board específico, o seu board exclusivo. Basta o candidato entrar na Vagas.com para que o tema do job board se resolva.  E na conversa com a IA ela ainda pode atualizar, organizar ou melhorar o seu curriculum. 

Saímos do encontro em Praga com uma ótima reputação junto aos nossos pares do mundo inteiro. Pelo fato da gente ter apresentado algo que abriu os olhos de muita gente.


Para termos uma ideia de como você vê o mercado brasileiro, podemos pensar que neste ambiente de pleno emprego o candidato passará a ser o centro das atenções?

MK. Eu acho que já isso já acontece. Quer dizer, os candidatos cada vez mais procuram e escolhem onde trabalhar. Isso acontece em níveis diferentes, por diferentes razões. Na base da pirâmide, a escolha pode ser por uma diferença de R$ 30,00 no salário. Porque, de fato, é meio que aviltante ver os salários que são pagos nessa faixa, tá? Então, por exemplo, uma das queixas principais dos recrutadores é de pessoas que nem comparecem em entrevistas. Elas chegam a combinar, mas de repente surge uma proposta, alguns reais melhor. O que também traz essa tristeza é que existem pessoas que trabalham realmente só pelo salário, só pelo sustento e  o trabalho em si, via de regra, não faz realmente diferença. Agora em outros níveis é normal que as pessoas acabem escolhendo as empresas que elas querem. Buscam algum tipo de identificação mesmo. Tem muita gente que trabalha assim. E num nível super alto temos outras demandas, do tipo “eu quero trabalhar home office três dias por semana”, por exemplo. Quando a programação ainda era uma coisa importante, as pessoas pensavam: “tanto faz se eu estou programando software para um banco, para uma construtora, sei lá, eu estou aqui para vender minha força de trabalho e depois eu faço o que eu quero” Agora, alguma pessoas de fato se engajam e se preocupam com o propósito da empresa:  “Estou aqui  construindo alguma coisa que é relevante, quero mudar o mundo, etc…”


A Vagas se estabelece em um segmento premium do mercado com as vagas inteligentes. Como isso se reflete no serviço que os clientes recebem?

MK. Vendemos vagas inteligentes para as empresas que são nossos clientes. Claro que as pessoas nesse contexto têm currículos melhores. Essa combinação garante que o cliente poderá contratar bem e rápido. Por que? Nosso papel de proporcionar uma boa contratação é muito forte, porque os currículos vão estar mais completos. Após a interação dos candidatos com a IA, os CVs vão ter mais informação, vão estar mais atualizados. Porque uma das queixas das empresas em qualquer plataforma são os currículos desatualizados. A escolha de pessoas para se candidatar às vagas depende do CV atualizado. Então, veja o ecossistema todo que é construído. É algo tão significativo que de repente reduz o prazo de um processo inteiro. De semanas para dias. Isso com certeza brilha os olhos de quem está buscando melhorar ou completar o seu time de colaboradores. A lógica da Vaga Inteligente é uma quebra de paradigma enorme no Brasil.  trabalhamos com  qualidade ao invés de quantidade. São poucos e bons candidatos ao invés de muitos e muito trabalho para selecionar e contratar. 

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