Todo retrato é um rio – Ernesto Bonato

9/05/2017

“O que faz com que duas pessoas se encontrem durante meses ou mesmo anos a fio para se sentarem uma diante da outra quase imóveis, quase quietas, por duas horas ou mais, cúmplices em um propósito que se revela de saída impossível: o de fixar em uma única imagem a inescrutável face humana?”

Na exposição “Todo retrato é um rio“, Ernesto Bonato faz uma reflexão sobre as trocas e compartilhamentos que permeiam o encontro entre modelo e pintor, materializando em seus quadros os rostos, as expressões, as modificações de luz, cores, a posição dos corpos, os humores e a alma que se move nos dois sujeitos.

Todo retrato que vai ganhando forma a cada pincelada é a representação de um passado que, no entanto, carrega em si um acúmulo de presentes sobrepostos, numa combinação harmônica e desarmônica ao mesmo tempo, e que é capaz de  dar origem a micromomentos em que a alma se permite revelar um sorriso sutil ou um brilho no olho, nos fazendo perceber que, em algum nível, é possível haver o encontro real entre duas pessoas.

 

Sobre o artista

Ernesto Bonato nasceu em São Paulo, em 1968, é membro fundador do Atelier Piratininga, participou da criação do serviço educativo do MASP, em 1997, e há mais de 25 anos trabalha com desenho, gravura, pintura, fotografia, incluindo instalações e intervenção urbana.

Graduado e mestre pela Escola de Comunicações e Artes da USP, é também curador de exposições nacionais, internacionais e já organizou e participou de diversos intercâmbios, simpósios e palestras, além de ter seus trabalhos expostos em mais de 190 exposições individuais e coletivas no Brasil e em 28 países.

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