Marco Buti. Uma luz é um norte

28/10/2014

 

 

“Cada traço é um momento de vida irrepetível, cada desenho uma performance. Não há volta na trajetória da linha.” (Marco Buti . ir, passar, ficar, 1998)

Lugares e um estar atento. Lugar . A luz é o que resiste nas incisões e corrosões, na oxidação da prata e do ferro; o que resiste ao desbaste que o olhar e a memória produzem ao roçar as cidades. Lugares comuns. A luz, cuja substância é tão fina, tão tênue, tão movediça, revela as estruturas precisas (mas inexatas) dos anteparos e cortes que moldam a descontinuidade sombreada que chamamos de mundo. Na chapa de metal, a talha, a corrosão recolhem e refletem esta luz através do desenho. Desenho que também orienta o olhar no instante do disparo da câmera fotográfica. Percurso e encontro, o desenho também é o movimento do corpo no espaço e o gesto que risca e raspa, mas, sobretudo, uma corda interior, que vibra e faz vibrar. Todo o trabalho do artista consiste em afinar sua capacidade de ‘escuta’, manter esta corda nem muito tesa, nem muito frouxa. Ao percorrer o mundo, numa espera ativa, o artista encontra o tempo certo para presenciar o que parecia invisível.

Ernesto Bonato Agosto de 2014

1 comentário

  1. 26/11/14 @ 13:43 Paola Ferreira

    Muito Bom !!!

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