Alex Cerveny: o desenho como escrita

2/09/2014

A obra de Alex Cerveny, aos que se aventurarem a tomá-la em conjunto – o que talvez só venha a ser possível após errar em labirintos infindáveis, repletos de figuras hieráticas (e acrobáticas!) e de atravessar terras/épocas longínquas que assomam à roda do tempo, sempre a verter-se sobre si mesma – irá assombrar-se em pressentir ali uma narrativa monumental, que pela natureza errática e por vezes diminuta, pode iludir aqueles aventureiros quanto à dimensão e coesão desta história de mil e uma noites, caligrafada e iluminada pelas mãos hábeis, olhos atentos e espírito aceso do artista. O visitante encontrará aqui como que pequenas portas, aberturas escolhidas entre tantas outras, pelas quais poderá adentrar, através do “Abre-te sésamo” da curiosidade, o espaço inimaginável que o desenho faz presente pela linha, pela mancha e pela cor. Alex, se utiliza da gravura em metal, da aquarela, têmpera, escultura, cerâmica, tinta de escrever e mesmo do cliché-verre para contar-nos uma história que vai tomando existência, ramificações e novos significados a cada imagem feita. Convidamos todos a descobrir onde isso tudo vai dar.

Ernesto Bonato
Maio de 2014

 

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