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Mundo da moda retratado em filme

Prêt-à-Porter completou 20 anos, mas a essência de sua mensagem permanece

por Josafá Crosóstomo

Prêt-à-Porter, filme de Robert Altman de 1994, completou vinte anos, mas a essência de sua mensagem para o mundo da moda permanece. Isso justifica que ele tenha sido um sucesso de público, quando de seu lançamento, e possa ainda ser visto por profissionais deste mitiê a fim de possam se divertir com essa comédia, rever atores e personagens que circulavam pela semana de moda de Paris na ocasião e que fizeram história, mas, sobretudo, a fim de que sejam provocados por um pensamento em torno do que se faz, quando se faz moda.

A obra pode ser vista como a visão crítica do diretor à efervescente indústria cultural em torno da moda, mas, na verdade atinge com mais agudeza os meios de representação desta indústria.

Como em outros filmes do diretor, várias histórias são entrelaçadas à trama central. Analisando o ápice desse universo, a semana de moda em Paris de 1994, Robert Altman traz à cena um elenco de primeiríssima grandeza para compor seu caleidoscópio glamoroso. Prêt-à-Porter é um filme dinâmico, tudo acontece ao mesmo tempo e muitos acontecimentos se sucedem vertiginosamente.

Há, inclusive, cenas reais dos desfiles, gravadas durante aquela semana de moda parisiense, e que foram incorporadas ao filme, onde a personagem de Marcello Mastroianni e a de Sophia Loren retomam um antigo caso amoroso, em que vemos uma jornalista deslumbrada interpretada por Kim Basinger e um hilário trio de editoras de moda (Linda Hunt, Sally Kellerman eTracey Ullman) que se digladiam e se humilham para conseguir os serviços exclusivos de um célebre fotógrafo de moda, vivido por Stephen Rea, para suas respectivas revistas.

Celebridades
Atores, atrizes, celebridades e todas as personagens que compõem o mundinho fashion estão agindo com completa liberdade e naturalidade o que confere ainda mais veracidade aos principais episódios da narrativa.

Além das cenas de desfiles, há entrevistas com pessoas famosas que dão sua visão a respeito do que é a moda para cada uma delas. É o caso de Cher e de Jean-Paul Gaultier, por exemplo. Se para você o desejo de trabalhar neste universo pode ser tão forte como para aqueles que desfilam na tela de Altman, então, é importante compreender e saber que em todas as fashion weeks contemporâneas será sempre preponderante o que o diretor ressalta em seu filme, ou seja, o fato de que mais do que em qualquer outro campo de atuação, são as relações sociais que permeiam o destino dos que fazem a moda acontecer.

Uma questão que não pode ser esquecida é que mesmo na alta sociedade parisiense, antenada e descolada, se pode pisar em fezes de cachorro (cena recorrente no filme), e talvez seja por isso mesmo que não é preciso tirar a beleza do universo fashion (coisa que o filme não faz) para que se possa compreender aquilo que, por fim, é defendido nesta delirante produção: a circunstância de que, embora sedutora, a moda seja também efêmera e injusta.

Assim sendo, se você é um profissional da moda a primeira lição que tal experiência lhe impõe é a de que vestir um Dior é mais eloquente quando isso não significa despir-se de sua dignidade.

Prêt-à-Porter (1994), EUA, Comédia, 133 min. Direção: Robert Altman . Elenco: Marcello Mastroianni, Sophia Loren, Jean-Pierre Cassel, Kim Basinger, Chiara Mastroianni, Stephen Rea, Anouk Aimée, Rupert Everett, Rossy de Palma, Lili Taylor, Ute Lemper, Forest Whitaker, Julia Roberts, Tim Robbins, Richard E. Grant, Lauren Bacall, Lyle Lovett, Tracey Ullman, Sally Kellerman, Linda Hunt, Teri Garr, Danny Aiello e Tara Leon