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Desconstruindo as atividades de uma gerência de RH

Filme de diretor israelense mostra que não há profissão sem desafios

por Josafá Crisóstomo

Eran Riklis é um cineasta israelense conhecido por tratar de temas sociais e políticos na sua cinematografia e neste A Missão do Gerente de Recursos Humanos ele irá focar sua atenção nas dificuldades dos imigrantes ilegais em Israel. Ficamos conhecendo o drama vivido pelo gerente (Mark Ivanir), quando a dona de uma indústria de panificação (Gila Almagor) decide que será sua tarefa solucionar um tanto do escândalo da morte de uma imigrante ilegal chamada Yulia Petracke e que trabalhou nesta empresa. Era uma cristã divorciada, que veio do Leste Europeu, mas morreu num ataque suicida ocorrido num ônibus.

É comovente ver como esse gerente, mesmo tendo tantos problemas na sua vida pessoal – ele também é divorciado e tem dificuldades no relacionamento com a filha –, ainda assim, o personagem consegue envolver-se com esta missão de fazer o translado do corpo da funcionária para sua terra de origem. É preciso restabelecer a boa imagem da firma, uma vez que um repórter sensacionalista apelidado Weasel (Guri Alfi) já a maculou em uma matéria em que a culpa de descuido com a vida da funcionária.

Por trás do atentado em que a moça se vitimou, temos o conflito israelo-palestino, mas para além desse conflito propriamente, o que o cineasta tangencia nesta obra é a superação dos conflitos pessoais do próprio protagonista. Trata-se de um gerente paradigmático, alguém a quem é confiada uma missão espinhosa, mas que busca conduzir tal tarefa da maneira mais verdadeira e competente possível, ainda que se confronte com fortes emoções, sobretudo na relação com o filho da falecida (Noah Silver), um jovem que viverá seu luto de uma maneira que somente um adolescente em conflito poderia vivê-lo .

Kombi velha
Os três personagens (gerente, repórter e o adolescente) se aventuram por estradas cobertas de neve da Romênia (locação das filmagens e possivelmente o local de origem da imigrante), primeiro em uma espécie de Kombi velha e que não chega ao destino da viagem, depois em um também velho tanque de guerra que lhes é concedido para prossegui-la. Todo tipo de entrave, como pressão da empregadora, muita burocracia, autoridades negligentes e dificuldades de aceitação da própria família da morta, se impõe durante sua missão, mas o gerente permanece decidido pela estrada mesmo que não saiba ao certo a que rumo tais circunstâncias o conduzem.

O filme desconstrói o lugar comum de onde normalmente colocamos as atividades de uma gerência de RH e isso nos permite compreender que não há profissão sem desafios. O setor de RH de uma empresa, na verdade, não apenas se responsabiliza pela contratação do pessoal, utilizando os recursos mais modernos de seleção de perfil de candidatos, como ainda por toda a vida funcional do empregado, assim como cuida dos interesses e determinações da política do empregador para a vida funcional na empresa. O que notamos nesta fábula que Riklis atualizou para o cinema (trata-se de uma adaptação do romance de Abraham B. Yehoshua, A mulher de Jerusalém) foi o potencial desta profissão para além das determinações e circunstâncias comuns: reitera-se que os desafios e vinculações de um gerenciamento desse nível devem ser marcados também por atributos profissionais como respeito próprio, além de determinação e desejo de solidariedade incomuns.

Serviço
A Missão do Gerente de Recursos Humanos (Shlichuto Shel Hamemune Al Mashabei Enosh), 2010, Israel, Alemanha, França, 103 min., Drama/Comédia, Direção: Eran Riklis. Elenco: Mark Ivanir, Reymond Amsalem, Gila Almagor, Rosina Kambus, Guri Alfi, Julian Negulesco, Noah Silver, Irina Petrescu, Papil Panduru, Bogdan E. Stanoevitch