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Comédia retrata secretária dos anos 1950

Protagonista participa de concursos de datilografia pela França

por Josafá Crisóstomo

O filme A Datilógrafa, do diretor francês Régis Roinsard, conta a história de uma moça típica do interior da França que resolve procurar um emprego bastante cobiçado por jovens na vanguarda da década de 1950: ser secretária. Sim, num tempo anterior à revolução sexual, esta profissão representava um estilo de vida bem distinto do que estava reservado para as mulheres habituadas a viver tão somente nos moldes dos papéis de esposa, mãe e dona de casa.

Por essa razão, esta simpática comédia romântica tão bem produzida – tanto na riqueza da reconstrução da época, como no seu colorido festivo – já flerta com aspectos bastante sugestivos. Rose Pamphule (Déborah François) desobedece ao pai e não fica no pequeno vilarejo onde mora, indo em busca de emprego e, mesmo sem ter vocação para secretária, insiste na conquista do cargo ao candidatar-se a uma vaga. É quando se revela então seu maior talento: datilografar com velocidade e de modo impecável.

A protagonista tem um modo muito peculiar para lidar com uma máquina de escrever e, por isso, seu patrão resolve colocá-la dali em diante nos principais concursos de datilografia do país, almejando alcançar vitórias até o campeonato mundial da modalidade. À medida que ganha títulos, sua vida vai mudando e ela chega a alcançar uma posição que jamais sonhara.

Busca profissional
O intrigante nesta história divertida e charmosa, como aliás deve ser toda comédia romântica, é que, compreendemos, por meio das situações em que a moça se envolve, que o importante em uma busca profissional é deixar a posição do lugar de conforto e/ou comodismo: Rose é insistente ao conquistar a vaga, não se preocupando em demasiado com o que os outros vão pensar (sobretudo, em se tratando do contexto moralista da época). Sua posição é assertiva em mais de um momento e ela nunca desiste a cada novo desafio, sobretudo quando parceiros ou opositores lhe instigam e/ou provocam.

A influência do personagem Louis (Romain Duris) sobre a datilógrafa é outro aspecto que nos parece importante ressaltar neste filme, pois sugere que mesmo quando não sabemos inicialmente qual é o nosso “desejo central”, enfim, qual seria nossa verdadeira vocação, ao encontrarmos um tutor ou alguém confiável e experiente para nos indicar ou apontar este caminho, podemos então alcançar a clareza e a segurança necessárias para guiarmos a nossa carreira. Por que não?

Nesse sentido, é preciso compreender afinal que somos seres relacionais: professores, chefes, amores, são pessoas que aparecem no nosso caminho também para nos orientar. E, muitas vezes, eles veem mais do que nós mesmos podemos intuir acerca de nossos talentos. É preciso estar atento e receptivo para aproveitar tais oportunidades. Elas constituem parte do nosso caminho para o autoconhecimento.

Serviço
A Datilógrafa (Populaire), França, 2012, Comédia, 111 min. Direção: Régis Roinsard. Elenco: Romain Duris, Déborah François, Bérénice Bejo