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O tigre nosso de cada dia

O tigre nosso de cada dia

Por Alan Santos

Nota: Este texto contém spoilers.

As Aventuras de Pi, filme do diretor taiwanês Ang Lee que levou quatro estatuetas no Oscar 2013, trouxe para o cinema os conflitos de um adolescente sobrevivente de um naufrágio. Quando seu barco afundou, ele se viu em um bote, na companhia de um macaco, uma hiena e um tigre. A palavra determinação pode ser usada aqui para sintetizar todas as características importantes ostentadas pelo rapaz e almejadas por grande parte de nós.

 

 

A exploração dessa situação-chave da trama pode ser bem interessante para empresas e candidatos a vagas de emprego. Vamos aos fatos que ilustram esse pensamento.

Fato 1: A história é mesmo inspiradora para a vida corporativa. Tanto que tornou-se tema de debate no encerramento do último Congresso Nacional sobre Gestão de Pessoas – CONARH.

Fato 2: Administrar o medo e a ansiedade, racionar a comida, sair do “fogo cruzado entre a hiena e o tigre”, desenvolver novas técnicas de pesca, dormir pendurado para não ser devorado… Tudo isso serve de analogia para a vida corporativa, em que é preciso constante mudança e evolução.

No mês passado, durante o CONARH, os participantes do debate “O que temos a aprender com o cinema” se revezavam em comentários e exibições das cenas importantes para cada um. Eles direcionavam o foco para sua área de conhecimento. Mirna Brandão, presidente do Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro, resumiu brevemente a estrutura do longa-metragem e relatou seu contato com o diretor Ang Lee, que definiu o filme como “uma fábula sobre a fé”.

Fé, filtros, fusões

Se prestarmos atenção à sequência dos acontecimentos, veremos que a fé está presente desde o começo. Pode vir daí o segredo da resiliência tantas vezes demonstrada pelo protagonista nos momentos difíceis. Ele aprendeu se concentrar e respirar antes de agir, além de todo o autoconhecimento. Tudo isso interfere também na formação dos filtros pessoais, sempre usados por qualquer pessoa para processar os estímulos que recebe. Partindo daí , pode-se traçar um paralelo com a realidade corporativa: as empresas também possuem filtros, influenciadores diretos no modo como as situações são recebidas e as decisões são tomadas. A questão nos leva a refletir e deixa abertas as possibilidades em casos de fusão entre corporações. O que são feitos desses filtros? Quais valores prevalecem na união de culturas organizacionais diferentes?

Richard Parker, o tigre que acompanha Pi, é o pesadelo encarnado. Depois da morte dos outros animais , ele é a companhia indesejada que permanece. Mas o olhar lançado por outro ângulo revela que é justamente o terror que impulsiona o jovem a criar estratégias, testá-las e, se necessário, inventar outras. A cada novo passo, Pi precisa pensar no “como” e no “quando”. Entre tropeços e sucessos, é construída a convivência e a relação de interdependência entre o animal e o rapaz.

Caminhar junto e sempre

A dupla forma uma força similar à observada entre organizações e clientes. Aparentemente os objetivos diferem, mas só a caminhada conjunta — entre controvérsias e consensos — pode levar a resultados positivos para ambos. Talvez o aprendizado maior que se pode tirar de uma história na qual um garoto sobrevive a um naufrágio e ainda consegue não ser devorado por um tigre é todo o processo de transformação resultante de dificuldades. Ou seja, o que os percalços ensinam. Isso acontece com todos nós. As adversidades enfrentadas pelo profissional no mercado de trabalho podem trazer à tona características até então desconhecidas por ele próprio. Pi teve que repensar sua estratégia de sobrevivência, respondendo ao comportamento do tigre. É a transformação positiva pela influência do meio nem tão positivo assim. No trabalho, essa capacidade de se reinventar é essencial.

Timidez não é inimiga da liderança

Os especialistas presentes no CONARH questionaram a possibilidade de profissionais tímidos exercerem liderança em sua equipe. Foi unânime a visão de que, assim como o náufrago, pessoas mais “low profile” podem se sair muito bem ao administrar o trabalho dos tigres que compõem seu time. Sem um maestro, a orquestra não toca como deveria.

Pra que matar um leão por dia se você pode domá-lo?

Quando o tigre estava faminto e fraco demais, Pi usou seu colo como apoio para a cabeça do animal. “Matar um leão por dia” já não é mais a realidade, está fora de moda. Matar é uma forma de fuga e fugir não é o caminho mais eficaz. Talvez o caminho agora seja afagar a cabeça do tigre nosso de cada dia, coisa só possível a alguém corajoso o suficiente para ser tão sensível.

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5 Comentários

  1. MARAISA

    1 ano atrás

    VOCÊS ESTÃO DE PARABÉNS VOU ASSISTIR AO FILME PELO QUE FOI DITO DO FILME TEMOS MUITO O QUE APRENDER COM ELE.

  2. Ricardo

    1 ano atrás

    Que pensamento fantástico. Aquela frase “matar um leão por dia” não saia dos meu pensamentos, mas o importante e o lógico não é matar um leão por dia, e, sim domá-lo, pois só assim atingiremos nossa inteligência plena para atingir nossos objetivos!
    Parabéns!

  3. Kellem

    1 ano atrás

    Parabéns, vou assistir ao filme, pois os comentários sobre a trama revelou um aprendizado contínuo tanto para a vida profissional quanto para a vida pessoal, superando obstáculos de forma inteligente e eficaz, “capacidade de se reinventar é essencial”.

  4. aloisio porto

    1 ano atrás

    gostei ! e vou assitir esse filme sim!
    assistir bons filmes refletir no profissional faz bem no pessoal e profissional!
    e boa sorte a todos!!!

  5. Solange Ferreira

    11 meses atrás

    Vou assisti o filme , pelo relato acima fiquei com uma vontade enorme de assistir, e tirar exemplo os quais eu possa utilizar no decorrer do meu dia da minha busca a volta no mercado de trabalho.

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