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Carpintaria: ofício em extinção?

Uma das profissões mais antigas do mundo hoje enfrenta falta de mão de obra

por Guss de Lucca

Um trabalho que exige conhecimento de geometria e domínio em lidar com a madeira no seu estado natural, a carpintaria é responsável pela criação de telhados, janelas, escadas, portas, assoalhos, móveis e até peças voltadas a construção civil – um serviço detalhista e que muitas vezes se confunde com o ofício do marceneiro.

“Um é água e o outro é vinho. A função do carpinteiro é madeiramento. Ele faz de tudo, como assentamento de porta e esquadrias – e utiliza uma gama de ferramentas para isso. Já o marceneiro é mais focado nos móveis. Hoje ele usa tecnologia de MDF (placa de fibra de madeira) e em minutos está tudo pronto – o cara corta com uma máquina, passa fita e fim”, explica o carpinteiro Antônio Aparecido Artioli.

Proprietário da Madeireira Artioli, na cidade de Socorro, interior de São Paulo, ele começou cedo observando o pai trabalhar e, aos 14 anos, já tinha seu primeiro registro de trabalho em carteira numa madeireira. “Lá aprendi a trabalhar com lixas, depois fui fazer batentes de porta e aos poucos aprendendo mais sobre a carpintaria.”

Modernização dos materiais
Artioli acredita que apesar da baixa procura, a figura do carpinteiro não deixará de existir. “A maioria dos que conheço tem mais de 50 anos e está se aposentando, como é o meu caso. E isso se deve a modernização dos materiais, como o MDF – não adianta trabalhar num móvel de madeira maciça, pois o preço alto dificulta a venda.”

carpinteiro Antônio Aparecido Artioli carpintaria

“Há uns 10 anos a procura por portas e esquadrias de madeira, por exemplo, era maior. Hoje você precisa competir com lojas que vendem tudo pronto – e mesmo não sendo produtos de materiais bons, como alumínio, o preço é bem menor”, reflete o carpinteiro, que hoje trabalha mais com móveis em MDF por conta da procura e praticidade.

Diferentemente da marcenaria, cujo mercado tem espaço para novos profissionais, a carpintaria ainda sobrevive com serviços de reforma ou pedidos específicos de clientes dispostos a pagar mais por um trabalho mais elaborado – e de certo ponto de vista até perigoso.

“Como mexemos com com máquinas que fazem uso de serras, é preciso muita atenção para não sofrer acidentes. Meu pai perdeu um pedaço do dedo em 1973 enquanto trabalhava”, relata Artioli. “Não pode ser um cara apavorado. Um bom carpinteiro precisa ter capricho, trabalhando com zelo, cuidado e tranquilidade”, diz ele.

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